O presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, disse na quinta-feira que o aumento do endividamento do seu país é "inevitável" em resultado da pandemia de Covid-19 e das medidas de reativação da economia.
Em entrevista à emissora pública Rádio Antena 1, Rebelo de Sousa disse que "quando não há outro remédio", o dinheiro emprestado é como "tem de ser".
O impacto da pandemia pesa fortemente nas economias em todo o mundo e Portugal não é exceção. Antes do início de Covid-19, há um ano, Portugal registrava o 25º trimestre de crescimento ininterrupto e o seu orçamento do Estado era superavitário pela primeira vez em quase meio século. O país também teve uma sólida recuperação do programa austero de resgate prescrito pela União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Segundo Rebelo de Sousa, "até agora" a compreensão dos mercados internacionais "tem sido surpreendente". Portugal tem sido elogiado pela sua resposta eficiente à crise de 2009 e até à primeira onda da pandemia.
"Quer dizer, os credores estão a acreditar na capacidade de gerir o orçamento e de não entrar numa perda irreversível, em termos de dívida pública", disse ele na quinta-feira.
No entanto, o dano econômico causado pelas ondas recorrentes da pandemia do coronavírus pode ser demais para o país suportar. De acordo com o presidente, o custo de Covid-19 pode muito bem ultrapassar os 12,9 bilhões de euros (US$ 15,7 bilhões) que Portugal deverá receber do EU Recovery and Resilience Facility e os empréstimos adicionais no valor de 15,7 bilhões de euros, que poderá também ser acessado voluntariamente.
"Se a pandemia se agravar ao ritmo que já está a agravar, isto significa prolongar a crise", disse Rebelo de Sousa.
Na sexta-feira, Portugal vai entrar no seu nono decreto de estado de emergência desde o início da pandemia Covid-19. As novas restrições são semelhantes às impostas durante a primeira onda de coronavírus na primavera passada.