
A China apresentou dois modelos de inteligência artificial (IA) para a previsão de eventos climáticos extremos. Utilizando dados de seus satélites meteorológicos Fengyun, os sistemas vão além do monitoramento das condições meteorológicas atuais e permitem prever a evolução dos fenômenos climáticos.
Os modelos — um destinado à interpretação de imagens de nuvens associadas a tufões e outro à emissão de alertas de curto prazo sobre condições meteorológicas convectivas severas — foram apresentados na quinta-feira, durante a Conferência de Usuários dos Satélites Fengyun 2026, realizada em Changsha, na província de Hunan.
Os satélites Fengyun coletam continuamente dados sobre a formação, o desenvolvimento e a evolução dos sistemas meteorológicos. No entanto, o enorme volume de informações representa um desafio para os meteorologistas que precisam identificar rapidamente os dados mais relevantes, afirmou Han Bowei, engenheiro do Centro Nacional de Meteorologia por Satélite.
Com o aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos extremos em todo o mundo, cresce também a necessidade de previsões e alertas mais rápidos e precisos. Segundo Han, a IA oferece uma maneira de processar os dados de satélite com maior eficiência e prever a evolução dos sistemas meteorológicos.
O modelo inteligente de interpretação de imagens de nuvens de tufões, baseado nos satélites Fengyun, integra mais de 20 tipos de produtos de dados de satélite em tempo real. O sistema analisa imagens de nuvens a cada 15 minutos e gera um relatório textual em apenas 27 segundos, com informações sobre a localização e a intensidade do tufão, sua estrutura térmica e dinâmica, os impactos dos ventos e das chuvas, além de sua provável evolução.
"A estrutura térmica tridimensional de um tufão é um dos principais fatores que influenciam as mudanças em sua intensidade", explicou Han. "O modelo de IA utiliza grandes volumes de dados de satélite para analisar essa estrutura e gerar relatórios claros e concisos, ajudando os meteorologistas a avaliar rapidamente possíveis mudanças na intensidade do tufão".
O modelo também apresenta os dados de satélite e as imagens dos produtos utilizados para fundamentar cada conclusão, permitindo que os meteorologistas verifiquem os resultados e realizem análises complementares, acrescentou Han.
No mês passado, o modelo foi utilizado no monitoramento do tufão Surigae, identificando automaticamente o fenômeno e analisando sua intensidade, o raio de ação dos ventos e as características da precipitação.
O segundo modelo é voltado à emissão de alertas de curto prazo sobre condições meteorológicas convectivas severas. Esses fenômenos envolvem sistemas de tempestades de pequena escala e rápido desenvolvimento, capazes de provocar condições perigosas, como ventos destrutivos, granizo e chuvas intensas, que podem desencadear inundações repentinas.
Com base em duas horas de dados de observação contínua do satélite Fengyun-4, o modelo prevê a evolução das nuvens e identifica possíveis atividades convectivas.
"Com o novo modelo de IA, podemos prever a ocorrência, o desenvolvimento e a intensidade de fenômenos meteorológicos convectivos severos com até quatro horas de antecedência", afirmou Han.
Um estudo sobre o modelo foi publicado no ano passado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). O trabalho destacou o potencial da combinação de dados de satélite com técnicas de inteligência artificial para desenvolver um sistema de previsão meteorológica de curtíssimo prazo com aplicações globais, contribuindo para melhorar a preparação e reduzir os impactos de tempestades severas em todo o mundo.
Em resposta às preocupações sobre informações imprecisas geradas por alguns modelos de IA, Han ressaltou que os novos sistemas de previsão produzem resultados verificáveis.
"Todas as conclusões são fundamentadas em observações de satélite e podem ser verificadas", afirmou.
Segundo Han, os dois modelos são os primeiros de uma série planejada para abranger diferentes tipos de fenômenos meteorológicos extremos, incluindo tufões, tempestades convectivas severas, chuvas intensas, tempestades de areia, nevoeiros densos e ondas de frio.
"O objetivo é construir um sistema inteligente de monitoramento que abranja todos esses tipos de fenômenos meteorológicos extremos", acrescentou.