
Vista aérea de Nam Co, o lago de água salgada mais alto do mundo, na Região Autônoma de Xizang, no sudoeste da China, em 16 de setembro de 2025. (Xinhua/Jiang Fan)
Um novo estudo reconstruiu a história evolutiva dos animais terrestres no Planalto Qinghai-Xizang, oferecendo uma visão mais clara de como a fauna única do "Terceiro Polo" da Terra se formou ao longo de milhões de anos.
A pesquisa, liderada por uma equipe do Instituto de Biologia de Chengdu (CIB), vinculado à Academia Chinesa de Ciências, foi publicada recentemente na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
"De modo geral, o estudo aprofunda a compreensão de como a vida animal em regiões montanhosas evolui e fornece uma base para o estudo de como a biodiversidade se forma em áreas de montanha ao redor do mundo", afirmou Li Jiatang, pesquisador do CIB.
Lar de muitas espécies que não são encontradas em nenhum outro lugar, o Planalto Qinghai-Xizang é um dos pontos críticos de biodiversidade do mundo. Segundo os pesquisadores, ele cobre cerca de 3,07 milhões de quilômetros quadrados e apresenta altitudes que variam de 88 a 8.848 metros.
O planalto propriamente dito, a cordilheira do Himalaia e as montanhas Hengduan constituem as três principais sub-regiões do planalto.
Há muito tempo, os cientistas buscam entender como a história tectônica do planalto e os sistemas de monções moldaram a evolução da biodiversidade local. No entanto, estudos anteriores concentraram-se, em sua maioria, em plantas ou em grupos específicos de animais, deixando pouco compreendido o desenvolvimento geral da fauna terrestre da região.
Para preencher essa lacuna, os pesquisadores combinaram árvores evolutivas calibradas no tempo, abrangendo mais de 20.000 espécies, incluindo invertebrados, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Em seguida, reconstruíram a história evolutiva de 527 espécies de animais terrestres endêmicos do planalto.
O estudo revelou que a maior parte dos animais terrestres endêmicos do planalto não chegou de outros locais para, então, dar origem a novas espécies. Em vez disso, muitos evoluíram localmente, ramificando-se em novas espécies exatamente onde já estavam, um processo que os cientistas denominam "diversificação in situ".
O planalto também serviu como um importante ponto de recepção de espécies. O estudo constatou que a chegada de animais ocorreu com uma frequência quase duas vezes maior do que a sua saída. Portanto, o Planalto Qinghai-Xizang desempenhou dois papéis simultâneos: foi um local de formação de novas espécies e, ao mesmo tempo, um "sumidouro" biogeográfico, um ambiente que incorporou mais espécies do que exportou.
As três sub-regiões desempenharam papéis bastante distintos. As Montanhas Hengduan constituíram a principal fonte de formação local de espécies, dando origem a uma grande quantidade de novas espécies. O Himalaia atuou tanto como fonte quanto como sumidouro, gerando novas espécies localmente e, simultaneamente, recebendo espécies provenientes de outras áreas. A plataforma do planalto, por sua vez, gerou pouquíssimas espécies novas localmente; a maior parte de sua fauna é oriunda de processos de imigração, o que a torna um importante sumidouro e um grande polo de recepção de espécies.
Os pesquisadores também analisaram como a geologia e o clima moldaram essa trajetória evolutiva. Eles descobriram que uma transição climática significativa, ocorrida há cerca de 34 milhões de anos, marcou o início de um processo contínuo de diversificação de espécies e intercâmbio biológico. Contudo, o cronograma desses processos variou entre as três sub-regiões, refletindo diferenças em suas respectivas histórias de soerguimento tectônico e sistemas de monções.
O estudo revelou, ainda, um padrão consistente: "primeiro as plantas, depois os animais". Ao comparar a evolução da fauna com estudos sobre a flora, os pesquisadores identificaram esse padrão em todo o planalto e suas sub-regiões. Grupos de plantas que colonizaram a área precocemente criaram nichos ecológicos adequados, estabelecendo as bases para a posterior imigração e diversificação da fauna.