
Instrumentos musicais de diferentes épocas estão em exposição no Espaço Cultural da Cidade de Qinyun. (Foto: tznews.cn)
Em um modesto espaço de exposição na aldeia de Huangqiao, na cidade de Taixing, província de Jiangsu, uma única vitrine conta a história de como uma comunidade rural se tornou o epicentro global da produção de violinos.
O Espaço Cultural da Cidade de Qinyun, um espaço que integra educação científica e industrial, demonstração de artesanato e preservação do patrimônio cultural, remonta às origens improváveis dessa indústria em 1968, quando trabalhadores que retornavam à região fundaram uma oficina comunitária de acessórios para instrumentos.
Da confecção de volutas e arcos, gerações de artesãos aprimoraram suas habilidades até que os violinos de Huangqiao chegassem ao Brasil e a outros mercados sul-americanos na década de 1980, inaugurando o primeiro capítulo da trajetória de exportação da cidade.
Hoje, o espaço abriga mais de 200 instrumentos de todo o mundo, incluindo duas obras renomadas: um violino premiado com medalha de ouro de Zheng Quan, professor do Conservatório Central de Música, confeccionado durante seus estudos na Itália; e um instrumento premiado pela qualidade sonora, de autoria de Hua Tianreng, que representa o mais alto padrão da luthieria chinesa.
Outra seção detalha o processo de 197 etapas, desde a seleção da madeira até a afinação final, destacando o inovador local Li Shu. Sua tecnologia de biomodificação da madeira conquistou um prêmio nacional de ciência e resolveu um desafio de longa data relacionado à qualidade do som.
O fator humano também desempenha um papel fundamental. O mestre artesão Xu Xiaofeng, após mais de duas décadas de trabalho manual, viu seus instrumentos serem oferecidos como presentes diplomáticos das Nações Unidas, ao mesmo tempo em que formou mais de 100 aprendizes.
Os números confirmam a dimensão dessa transformação. Huangqiao abriga atualmente mais de 220 empresas do setor de violinos e acessórios, produzindo mais de 1 milhão de instrumentos por ano. A cidade detém 70% do mercado interno chinês e 40% da oferta global, exportando para mais de 90 países e gerando empregos para mais de 30.000 moradores.