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China e Brasil exploram novas oportunidades de cooperação em mercados de carbono

Fonte: Xinhua    19.10.2026 16h35

O Brasil e a China podem cooperar em mercados de carbono, trocando experiências e desenvolvendo pilares-chave da colaboração, disse Cristina Reis, secretária extraordinária do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda do Brasil.

Realizada em setembro em Wuhan, na Província de Hubei, a Conferência de Mercado de Carbono da China 2026 atraiu representantes de 27 países, regiões e organizações internacionais, que compartilharam práticas sobre a construção de mercados de carbono e exploraram, em conjunto, caminhos de cooperação para promover o desenvolvimento verde e de baixo carbono global.

A questão das mudanças climáticas diz respeito ao futuro da humanidade, e a transição para o desenvolvimento verde é um desafio comum a todo o mundo. A China sempre atribuiu grande importância ao combate às mudanças climáticas, buscando soluções para os desafios da redução de emissões por meio de mecanismos de mercado.

Segundo Reis, as experiências da China demonstraram a importância do desenvolvimento gradual do mecanismo de mercados de carbono, implantando projetos-piloto antes do início oficial do mercado regulado de carbono e, em seguida, impulsionando o mercado voluntário de carbono.

Em julho de 2021, a China lançou oficialmente seu mercado nacional de comércio de emissões de carbono. Até o final de agosto de 2026, esse mercado regulado de carbono relatou um volume acumulado de negociações de 961 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, com faturamento total atingindo 65,7 bilhões de yuans (US$ 9,71 bilhões).

Ao mesmo tempo, o mercado de redução voluntária de emissões de gases de efeito estufa da China também ganhou ritmo. Até o final de agosto deste ano, 41 projetos haviam sido registrados, com volume acumulado de negociações atingindo 21,71 milhões de toneladas e valor de transação totalizando 1,74 bilhão de yuans, informou o relatório.

O sistema de mercados de carbono da China foi basicamente estabelecido ao longo dos últimos cinco anos, com aprimoramento geral em dinamismo e eficiência, ressaltou uma autoridade do Ministério da Ecologia e Meio Ambiente.

Reis espera que o Brasil e a China possam aprofundar a cooperação em diversas áreas, como sistemas de monitoramento, relato e verificação (MRV) de emissões de gases de efeito estufa.

Mercado de carbono é tanto uma ferramenta de política ambiental quanto um importante alavancador para impulsionar a transição econômica verde. O Brasil está avançando de forma constante na construção do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), com planos de implementação em etapas.

Durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em novembro de 2025 na cidade de Belém, a Coalizão Aberta para Mercados Regulados de Carbono foi lançada, uma iniciativa colaborativa encampada pelo governo brasileiro.

A Coalizão Aberta busca alinhamento e interoperabilidade entre mercados regulados de carbono, impulsionando a descarbonização e a precificação de emissões, estimulando, desta forma, a cooperação e o multilateralismo internacionais.

Presidida pelo Brasil até 2027, com China e União Europeia na copresidência, a Coalizão Aberta conta com 11 membros e 18 observadores, abrangendo economias e organizações internacionais de diversas regiões do mundo.

A 2ª Reunião de Alto Nível da Coalizão Aberta também foi realizada em setembro em Wuhan, com aprovação de um plano de trabalho para aproximar sistemas nacionais de precificação de emissões. Li Gao, vice-ministro da Ecologia e Meio Ambiente e copresidente da Coalizão Aberta, disse que a China está acelerando a construção de um mercado de carbono mais eficaz, mais dinâmico e com maior influência internacional.

As experiências acumuladas pela China no desenvolvimento verde e na construção de mercados de carbono oferecem um exemplo valioso para a governança climática global e servem como referência importante para que muitos países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, explorem caminhos de transição verde adequados às suas respectivas realidades, observou Reis em um artigo escrito.

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