Por Yu Xuan, Diário do Povo

Turistas passeiam em jangadas de bambu para apreciar a paisagem às margens do rio na Área Cênica do Rio Yulong, no condado de Yangshuo, Guilin, Região Autônoma da Etnia Zhuang de Guangxi, no sul da China, em 7 de outubro de 2026. (Foto: Jiang Keqing)
Na economia global atual, mercados internos robustos estão entre os recursos mais escassos e cobiçados. Investidores veem, cada vez mais, o mercado chinês como um ativo raro — mesmo entre outros ativos raros.
O que o torna diferente? Uma única palavra oferece um bom ponto de partida: estabilidade.
Essa estabilidade é mais visível na continuidade tranquila do cotidiano. Duas comparações ajudam a explicar o porquê.
Primeiro, o contraste com outras grandes economias. Enquanto a inflação subiu significativamente nas principais economias desenvolvidas, com os preços ainda em alta acelerada e o custo dos itens básicos exercendo uma pressão crescente sobre o orçamento das famílias, os consumidores chineses continuaram tendo acesso a produtos essenciais a preços relativamente acessíveis. Dados oficiais confirmam essa observação: o índice de preços ao consumidor na China registrou uma alta de 0,8% em agosto, na comparação anual, um aumento modesto que reflete a estabilidade do cotidiano dos cidadãos comuns.
Em segundo lugar, a transição de vulnerabilidades do passado para a resiliência atual. Houve um tempo em que as interrupções no fornecimento de energia durante o verão e a paralisação de fábricas eram uma grande preocupação. Hoje, o racionamento de energia tornou-se algo raro. Em agosto, o consumo total de eletricidade na China superou, mais uma vez, a marca de 1 trilhão de quilowatts-hora, com a demanda por energia atingindo um patamar recorde. Ainda assim, as cidades continuaram funcionando normalmente, e as residências permaneceram iluminadas, como de costume.
Essa confiabilidade decorre de uma infraestrutura energética modernizada e estruturada em múltiplas camadas. Desde corredores de transmissão de ultra-alta tensão e redes de distribuição em áreas rurais até microrredes urbanas integradas, o sistema elétrico chinês combina, de forma harmoniosa, a geração térmica convencional com fontes eólica, hídrica e solar. O resultado é uma rede resiliente que mantém as atividades econômicas e sociais em pleno funcionamento.
Em um mundo marcado por recuperações lentas, tensões geopolíticas e volatilidade nos preços da energia, tal estabilidade possui um valor imenso. Ela oferece um raro ponto de ancoragem e previsibilidade.
Vale destacar que o Fundo Monetário Internacional revisou recentemente sua previsão de crescimento global para baixo em 0,1 ponto percentual para o ano, ao mesmo tempo em que elevou sua projeção para o crescimento da China em 0,2 ponto percentual. Essa divergência reflete uma confiança crescente na resiliência econômica da China — e ajuda a explicar por que investidores internacionais estão aumentando, de forma constante, seus aportes de capital.
De onde vem essa estabilidade? As fortalezas institucionais do sistema chinês servem como sua âncora.
Considere o exemplo do distrito de Dadukou, no município de Chongqing, sudoeste da China. Outrora conhecido por sua vasta indústria siderúrgica, o distrito enfrentou um desafio fundamental após a realocação da Chongqing Iron & Steel Co., Ltd.: como desenvolver novas indústrias para substituir as antigas? Aproveitando suas competências existentes, o distrito tomou a decisão estratégica de desenvolver o setor de motocicletas.
O mercado e o governo atuaram em conjunto. Graças a processos acelerados de aprovação regulatória, o Qianjiang Motorcycle Group pôde ocupar suas novas instalações de manufatura inteligente assim que a construção foi concluída. Hoje, componentes fornecidos pela Qiutian Gear estão presentes em uma a cada cinco motocicletas fabricadas no mundo, enquanto a Lide Industry detém quase metade do mercado interno chinês de embreagens.
Um planejamento industrial sólido, políticas de apoio direcionadas e a melhoria contínua dos serviços ajudaram a estabelecer um ecossistema industrial bem integrado, concentrado em um raio de 15 minutos dentro da cidade.
Equilibrar dinamismo e ordem é fundamental. Com mais de 350 empresas competindo no mesmo setor, como o mercado consegue manter-se vibrante sem cair na desordem? O segredo reside na coordenação estreita ao longo da cadeia industrial e na competição diferenciada.
As empresas conquistam nichos de mercado especializados, ao mesmo tempo em que expandem e fortalecem a cadeia industrial, promovendo uma integração mais profunda entre manufatura e consumo, bem como entre indústria e turismo.

Turistas passeiam por um mercado noturno em Dunhuang, na província de Gansu, noroeste da China, em 26 de setembro. (Foto: Zhang Xiaoliang)
De janeiro a agosto deste ano, a produção industrial das empresas de grande porte no setor de motocicletas de alto padrão, em Dadukou, cresceu 27% em relação ao mesmo período do ano anterior. A fabricação de motocicletas, a prática do motociclismo e a realização de eventos de esportes a motor tornaram-se parte da identidade do distrito, demonstrando como é possível oferecer espaço para o mercado prosperar, garantindo, ao mesmo tempo, uma regulação eficaz.
"Combinar um mercado eficiente com um governo que funciona bem" não é apenas um diferencial da economia de mercado socialista da China, mas também um princípio fundamental para o desenvolvimento econômico e social durante o período do 15º Plano Quinquenal (2026-2030). Ao continuar a aprimorar a governança macroeconômica, modernizar as indústrias tradicionais, expandir os setores emergentes e planejar com antecedência as indústrias do futuro, a China fortalecerá ainda mais a previsibilidade e o apelo singular de seu mercado.
A estabilidade da economia chinesa não é estática. Trata-se de um equilíbrio dinâmico de alto nível, mantido à medida que a economia continua avançando. Por trás disso, residem uma determinação estratégica e uma abordagem proativa na construção do futuro do país.
"Não se trata de capital de risco, mas de investimento industrial; não é uma aposta, mas um esforço deliberado", afirmou uma autoridade em Hefei, na província de Anhui, leste da China, mantendo uma postura sensata, apesar dos elogios que a cidade tem recebido pelo sucesso de seus investimentos.
Os altos retornos sobre os investimentos industriais são apenas os resultados visíveis. A força subjacente reside numa abordagem mais fundamental: adaptar-se às condições locais, tomar decisões baseadas em análises sólidas e adotar uma perspectiva de longo prazo.
Em vez de perseguir freneticamente cada tendência passageira, a China mantém o foco na inovação dentro de setores estratégicos. Em vez de vacilar diante de ventos contrários, permanece fiel ao objetivo de promover "novas forças produtivas de qualidade". Em vez de se fixar apenas em ganhos tangíveis e imediatos, dedica-se a preparar o terreno para retornos de longo prazo.
Essa mentalidade equilibrada, que une firmeza estratégica e agilidade tática, reflete a visão do Partido Comunista da China sobre conquistas políticas e desenvolvimento. Ela nasce de um sistema de governança em constante evolução, manifesta-se nos esforços incansáveis de centenas de milhões de agentes de mercado e molda, de forma gradual, as expectativas sólidas da população em relação à modernização chinesa. Essa confiança no caminho escolhido constitui a base para o crescimento econômico sustentado e saudável da China.