Por Han Xin, Diário do Povo

Um ônibus solicitado por aplicativo circula em uma rua de Jinhua, na província de Zhejiang, leste da China. (Foto: Hu Xiaofei)
Às 8h da manhã, no distrito de Chaoyang, em Beijing, um morador de sobrenome Wang escaneou um código QR para desbloquear uma bicicleta compartilhada. Ele fixou o celular no guidão, acionou um aplicativo de navegação e pedalou os seis quilômetros até sua loja de artigos para animais de estimação.
"Ir de bicicleta para o trabalho me permite fazer exercícios ao mesmo tempo. É uma solução 'dois em um' eficiente", disse Wang.
A experiência dele não é um caso isolado. Segundo a Meituan, provedora de serviços locais online, nos últimos cinco anos, os usuários de suas bicicletas e bicicletas elétricas compartilhadas percorreram um total de 46,2 bilhões de quilômetros, reduzindo as emissões de carbono em cerca de 2,64 milhões de toneladas. Os veículos de duas rodas compartilhados tornaram-se parte integrante da vida urbana e são, atualmente, uma das opções de deslocamento preferida por milhões de pessoas.
Metrôs, ônibus e bicicletas: essas combinações de transporte multimodal tornaram-se, discretamente, parte da rotina diária em muitas cidades chinesas. Em 2025, mais de 200 milhões de deslocamentos eram realizados diariamente na China utilizando meios de mobilidade sustentável.
"A mobilidade verde refere-se a um sistema de transporte eficiente, de alta capacidade, baixo teor de carbono e ecologicamente correto, centrado no transporte público urbano e no transporte não motorizado", explicou Chen Xumei, engenheira-chefe do Centro de Pesquisa em Transporte Urbano Sustentável da China, vinculado à Academia Chinesa de Ciências do Transporte.
O setor de transportes é responsável por cerca de 10% do total de emissões de carbono da China, sendo o transporte rodoviário o principal contribuinte. Portanto, promover a mobilidade verde é fundamental para aliviar os congestionamentos e avançar na conservação de energia e na redução de emissões.
Na visão de Chen, a mobilidade verde nas cidades chinesas evoluiu de uma iniciativa impulsionada por políticas públicas para uma preferência da população.
A escala continua crescendo. Atualmente, cerca de 100 milhões de pessoas utilizam o transporte ferroviário urbano, outras 100 milhões usam ônibus e 24 milhões utilizam bicicletas compartilhadas diariamente em todo o país.
Segundo um relatório de 2024 sobre o desenvolvimento da mobilidade verde em cidades chinesas típicas, essa modalidade representa, em média, 73,9% de todos os deslocamentos nas 36 cidades pesquisadas, chegando a 75,4% nas megacidades. Os padrões de deslocamento urbano estão se tornando cada vez mais sustentáveis.
Existe um vasto contingente de usuários em potencial ainda não aproveitado. À medida que as áreas metropolitanas crescem rapidamente, aumenta também o número de pessoas que realizam deslocamentos entre cidades.
Um relatório de 2025 sobre deslocamentos nas principais cidades chinesas revelou que cerca de 100 milhões de pessoas se deslocam diariamente nas 22 megacidades e cidades de porte extragrande da China, sendo que aproximadamente 4% delas cruzam os limites municipais.
Cerca de 90% das pessoas que atualmente dependem de transporte motorizado, mas ainda não utilizam o transporte público urbano, afirmaram que considerariam reduzir o uso de carros particulares e táxis se o transporte público se tornasse mais eficiente e conveniente.
O que impulsionou a ampla adoção da mobilidade sustentável? Por trás dessa tendência está o aprimoramento contínuo da infraestrutura de transporte público urbano.
Por exemplo, a Linha 11 do metrô em Guangzhou, na província de Guangdong, no sul da China, conecta cinco grandes áreas centrais da cidade, registrando uma média diária de mais de 550 mil passageiros. Serviços de ônibus fretados personalizados que atendem à região de Beijing-Tianjin-Hebei conectam diversos distritos ao redor de Beijing, totalizando mais de 5 milhões de viagens de passageiros. A rede de transporte público, em constante expansão e cada vez mais interconectada, reduz o tempo de deslocamento entre cidades e amplia o alcance da mobilidade sustentável.
Após anos de desenvolvimento, consolidou-se um sistema de infraestrutura de transporte público urbano eficiente e ecologicamente correto. Em 2025, 54 cidades operavam mais de 11.000 quilômetros de linhas ferroviárias urbanas. No caso dos ônibus urbanos, a extensão total das rotas em operação atingiu 1,776 milhão de quilômetros, e os veículos de nova energia representavam 87,5% da frota.
Além da infraestrutura física, o transporte público também proporciona uma experiência de viagem mais fluida. Chengdu, na província de Sichuan, no sudoeste da China, implementou rotas de "ônibus pontuais", utilizando sistemas inteligentes de previsão de horário de chegada e painéis eletrônicos em tempo real nos pontos de parada para ajudar os passageiros a planejar sua espera.
Hangzhou, na província de Zhejiang, no leste da China, utiliza um "modelo de grande escala para transporte público" voltado ao agendamento inteligente e ao monitoramento do fluxo de passageiros, permitindo previsões de chegada mais precisas nas áreas centrais da cidade.
Melhores conexões de transporte e operações mais inteligentes com atualizações digitais impulsionaram efetivamente a competitividade da mobilidade sustentável em toda a China.
O amplo reconhecimento público da mobilidade sustentável decorre não apenas de uma infraestrutura robusta, mas também de um ambiente favorável.
Ir de bicicleta compartilhada até o metrô, percorrer três estações e caminhar 800 metros da estação até o escritório — é assim que Wang Chen, morador de Shanghai, vai para o trabalho todos os dias. Esse trajeto lhe rende cerca de 600 "pontos de carbono" em sua conta pessoal no Amap, um aplicativo de navegação popular na China.
"Preciso de apenas mais 4.400 pontos para resgatar um passe de transporte", disse Wang. Ele antes achava que a redução de emissões de carbono pouco tinha a ver com ele, mas agora contribui por meio de seu deslocamento diário e considera isso gratificante.
Em 2020, Beijing foi pioneira em um mecanismo de inclusão de carbono: os moradores acumulam créditos por reduções de emissões de carbono — registradas e calculadas — ao caminhar, andar de bicicleta e utilizar ônibus ou metrô.
"Nos últimos anos, muitas regiões lançaram contas de carbono e iniciativas de inclusão de carbono. O objetivo é mudar a mentalidade de 'devemos fazer isso' para 'queremos fazer isso', tornando a mobilidade sustentável uma escolha voluntária", afirmou Li Yutao, pesquisador do Instituto de Transporte Integrado da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China.
Quando cada escolha de deslocamento pode ser rastreada, quantificada e recompensada, a mobilidade sustentável deixa de ser um conceito abstrato e se transforma num estilo de vida tangível, acrescentou Li.