Por Chen Yixian, Diário do Povo

Neste verão, um condomínio residencial em Xuzhou, na província de Jiangsu (leste da China), chamou a atenção por sua abordagem inovadora de climatização. (Captura da tela do vídeo de CMG)
Neste verão, um condomínio residencial em Xuzhou, na província de Jiangsu (leste da China), chamou a atenção por sua abordagem inovadora de climatização. Mesmo quando as temperaturas externas ultrapassavam os 35 graus Celsius, os moradores conseguiram manter os aparelhos de ar-condicionado desligados, preservando uma temperatura interna em torno de 25 graus. O segredo está sob seus pés.
A Universidade de Mineração e Tecnologia da China, em colaboração com uma empresa local, aproveitou uma "fonte natural de resfriamento" escondida em minas abandonadas próximas. A água nessas minas permanece a cerca de 19 graus Celsius durante todo o ano. Ela é bombeada para as residências por meio de tubulações de aquecimento já existentes, proporcionando resfriamento através de sistemas de piso radiante.
O plano de ação da China para atingir o pico de emissões de carbono durante o período do 15º Plano Quinquenal (2026–2030) prevê a aceleração da transição verde e de baixo carbono nos sistemas de aquecimento e resfriamento. Cidades de todo o país estão agora explorando o resfriamento distrital como parte desse esforço.
O resfriamento distrital funciona de forma muito semelhante ao aquecimento distrital, com a diferença de que, em vez de água quente, circula água gelada pelas tubulações. Em alguns sistemas de resfriamento distrital, a água gelada produzida em uma central de refrigeração é distribuída por redes de tubulação subterrâneas até os edifícios, onde unidades *fan-coil* distribuem o ar fresco nos ambientes internos.
Em comparação com o ar-condicionado convencional, o resfriamento distrital oferece várias vantagens claras. Ele aumenta a eficiência da refrigeração, reduz custos e economiza espaço valioso nas edificações. Também elimina o ruído gerado pelas unidades externas de ar-condicionado e, em alguns casos, evita o desconforto do ar frio soprando diretamente sobre as pessoas, tornando a experiência mais agradável para os usuários.
No entanto, a possibilidade de uma adoção mais ampla do resfriamento distrital depende de um princípio fundamental: as soluções devem ser adaptadas às condições locais.
Em Xuzhou, a água das minas oferece uma fonte de resfriamento pronta para uso, eliminando a necessidade de consumir eletricidade adicional para produzir água gelada. As tubulações existentes também podem ser utilizadas tanto para aquecimento quanto para resfriamento, dispensando a necessidade de reformas extensas ou novas instalações elétricas e hidráulicas. Isso economiza tempo, esforço e dinheiro.
Contudo, tais fontes naturais de resfriamento não estão disponíveis em toda parte. Onde a fonte disponível é muito limitada, ela pode não ser suficiente para atender a uma demanda significativa por refrigeração. Em Wuhan (província de Hubei) e Nanjing (província de Jiangsu), dois projetos de climatização urbana centralizada ajudaram a reduzir as emissões de carbono e a melhorar o bem-estar da população. A solução inteligente adotada consiste em utilizar o rio Yangtze como um "ar-condicionado natural".
O conceito de "recursos", naturalmente, não é estático. Em Hangzhou, na província de Zhejiang, a água de reuso proveniente de uma estação de tratamento de esgoto fornece resfriamento contínuo para cerca de 300.000 metros quadrados de edificações em um parque industrial. Ao aprimorar a tecnologia e repensar a utilização dos recursos, é possível aproveitar recursos que antes permaneciam ociosos.
A disponibilidade de recursos não é o único fator a ser considerado. A sustentabilidade ambiental e a viabilidade econômica são igualmente importantes no desenvolvimento de sistemas de climatização urbana centralizada.
Fornecer resfriamento é um desafio muito maior do que fornecer aquecimento. Sistemas de aquecimento urbano centralizado geralmente conseguem abranger um raio superior a 20 quilômetros, enquanto os sistemas de resfriamento urbano operam, em geral, em um raio não superior a 1,5 quilômetro; além dessa distância, as perdas de energia aumentam drasticamente.

Interior de uma central de refrigeração em Qianhai, Shenzhen, na província de Guangdong, sul da China. (Foto de cortesia cedida pelas autoridades de Qianhai)
O maior sistema de climatização urbana centralizada do mundo está localizado em Qianhai, Shenzhen, na província de Guangdong (sul da China). Seis centrais de resfriamento já estão em operação. Quando o sistema atingir sua capacidade máxima, espera-se uma redução de 13,74 toneladas no uso de fluidos refrigerantes, com uma área contratada de climatização superior a 5,78 milhões de metros quadrados.
Por que um sistema de climatização urbana centralizada de tamanha envergadura foi instalado em Qianhai? A temperatura média anual da região supera os 23 graus Celsius, e a área abriga um grande número de edifícios de escritórios, complexos comerciais de grande porte e hotéis — todos consumidores constantes e significativos de climatização.
Graças às economias de escala, a climatização urbana centralizada pode proporcionar uma economia de energia e uma redução de emissões de carbono significativas, apresentando um enorme potencial. No entanto, se os equipamentos permanecerem ociosos após a construção do sistema, isso pode resultar em um desperdício considerável. Por isso, são essenciais uma avaliação criteriosa e uma tomada de decisão fundamentada. O planejamento deve levar em conta todos os fatores relevantes desde o início.
No primeiro semestre deste ano, as exportações chinesas de aparelhos de ar-condicionado para a União Europeia atingiram um nível recorde, com um aumento de 43,2% no valor das exportações em relação ao ano anterior.
As cidades europeias possuem muitas edificações históricas e condições de instalação complexas. Para atender a essas demandas, empresas chinesas desenvolveram aparelhos de ar-condicionado do tipo “split”, portáteis, energeticamente eficientes e silenciosos, que podem ser conectados à rede elétrica e utilizados imediatamente. Os produtos revelaram ser muito populares.
A adaptação local incorporada a esses produtos e serviços reflete a sabedoria de respeitar tanto as leis da natureza quanto as necessidades dos usuários. É mais um exemplo de como soluções são ajustadas às condições locais.
As metas de pico de emissões de carbono e de neutralidade de carbono representam um compromisso da China com a comunidade internacional. Por que se pode confiar que a China honrará sua palavra e cumprirá seus compromissos?
A resposta reside nas diversas peças do quebra-cabeça do desenvolvimento verde — desde edificações sustentáveis e energia de baixo carbono, até formas mais inteligentes de utilização de recursos —, tudo isso fundamentado nos princípios de considerar a realidade, buscar um progresso constante e encontrar soluções inovadoras.