Mais de 5.000 produtos brasileiros terão acesso ao mercado europeu sem tarifas, com a entrada em vigor provisória, a partir de 1º de maio, do acordo entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE), comemorou nesta terça-feira a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A organização destacou em comunicado que o início da implementação marca a maior abertura comercial entre os dois blocos em mais de duas décadas de negociações, com uma zona econômica conectando mais de 700 milhões de pessoas e estabelecendo uma redução gradual de tarifas.
Segundo a CNI, os mais de 5.000 produtos representam mais de 80% das importações projetadas da UE de produtos brasileiros em 2025.
Do total, 2.932 produtos atualmente sujeitos a tarifas passarão a ser isentos, dos quais 93% (2.714) são produtos industriais, afirmou.
"O acordo representa uma oportunidade para expandir significativamente a presença do Brasil no mercado internacional e fortalecer a agenda de competitividade industrial do país", disse o presidente da CNI, Ricardo Alban, em comunicado.
Segundo a organização, os países com os quais o Brasil possui acordos comerciais respondem por 8,9% das importações globais, percentual que poderá chegar a 37,6% com a integração entre o Mercosul e a União Europeia.
Entre os setores que mais se beneficiarão com a eliminação imediata das tarifas estão máquinas e equipamentos (21,8%), alimentos (12,5%), produtos metálicos (9,1%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (8,9%) e produtos químicos (8,1%).
A CNI informou que, juntamente com seus pares do Mercosul e a organização empresarial europeia BusinessEurope, criará um comitê do setor privado para monitorar e apoiar a implementação do acordo, facilitando a adaptação das empresas ao novo ambiente de negócios.
O acordo prevê uma implementação progressiva, com redução gradual das tarifas para produtos sensíveis ao longo de períodos de até 10 anos na União Europeia e 15 anos no Brasil, com exceções de até 30 anos para veículos elétricos e híbridos e novas tecnologias.
As autoridades brasileiras também deverão regulamentar a distribuição das cotas de importação entre os países do Mercosul, definindo critérios e volumes permitidos dentro do novo marco comercial.