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Aliados europeus rejeitam pedido de Trump por missão militar no Estreito de Ormuz

Fonte: Diário do Povo Online    17.03.2026 14h37

Líderes europeus enfatizaram que o conflito atual não deve evoluir para uma missão da OTAN nem arrastar o continente para uma guerra mais ampla.

Diversas nações europeias e a União Europeia (UE) expressaram, na segunda-feira, relutância ou oposição direta ao apelo do presidente dos EUA, Donald Trump, por uma missão militar para garantir a segurança de navegação no Estreito de Ormuz.

Ressaltando a necessidade de soluções diplomáticas e alertando contra uma escalada regional, os líderes europeus enfatizaram que o conflito atual não deve evoluir para uma missão da OTAN nem arrastar o continente para uma guerra mais ampla.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, descartou qualquer envolvimento militar na proteção de petroleiros no estreito, enfatizando que a OTAN é uma "aliança de defesa" e não uma "aliança de intervenção".

Merz afirmou que a Alemanha não participará de medidas militares para garantir a liberdade de navegação enquanto o conflito persistir, acrescentando que nenhum conceito viável para tal operação foi apresentado até o momento. No sul da Europa, o ministro das Relações Exteriores de Portugal, Paulo Rangel, afirmou que Portugal "não está e não estará envolvido neste conflito".

Rangel também descartou as ameaças do governo Trump em relação aos membros da OTAN que se recusam a apoiar Washington, dizendo que eles não merecem "absolutamente nenhuma reação".

O vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores da Itália, António Tajani, também expressou dúvidas, observando que missões existentes como "Aspides" e "Atalanta" são projetadas principalmente para operações de escolta defensiva e anti-pirataria, o que dificulta sua extensão ao Estreito de Ormuz, de alto risco.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse que Londres está trabalhando com aliados em um "plano viável" para restabelecer a navegação, mas esclareceu que "não será e nunca foi concebido como uma missão da OTAN".

A postura cautelosa surge em meio a atritos visíveis com Washington. Trump criticou recentemente a Grã-Bretanha em uma entrevista ao Financial Times, alegando que Londres "não quis vir" quando foi solicitada a ajudar pela primeira vez e só ofereceu navios depois que a "capacidade de resposta a perigos" foi reduzida.

No norte e leste da Europa, os recursos limitados e as prioridades estratégicas desempenharam um papel importante nas recusas.

A ministra das Relações Exteriores da Finlândia, Elina Valtonen, afirmou que a Finlândia "praticamente não dispõe de recursos adicionais" e que o estreito não é uma "prioridade máxima".

O ministro da Defesa da Suécia, Pal Jonson, afirmou de forma semelhante que o foco estratégico da Suécia permanece nas áreas do norte.

O ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski, confirmou que a Polônia "não tem planos" de participar, e a ministra interina das Relações Exteriores da Bulgária, Nadezhda Neynski, disse que seu país não tem capacidade para tal missão.

A emissora pública holandesa NOS informou que o primeiro-ministro holandês, Rob Jetten, confirmou que a Holanda não está considerando participar no momento.

"No momento, qualquer missão no Estreito de Ormuz precisará de uma redução das tensões na região", disse Jetten durante sua visita a Berlim na segunda-feira.

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