Portugal não participará do conflito em curso envolvendo os Estados Unidos e o Irã, afirmou na segunda-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel.
"Portugal não está, nem vai estar, envolvido neste conflito", disse Rangel aos repórteres, rejeitando firmemente os apelos dos Estados Unidos por um maior envolvimento da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na guerra.
O governo Trump tem pressionado os membros da OTAN e outros países a ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passava um quinto do petróleo mundial antes dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã. O tráfego por essa via navegável estratégica foi praticamente interrompido devido à ameaça de ataques retaliatórios por parte dos iranianos.
Rangel afirmou que Portugal apoia os esforços para restaurar a liberdade de navegação por meios diplomáticos e políticos.
"Tudo aquilo que se possa fazer para desobstruir o Estreito de Ormuz e permitir a liberdade de navegação é positivo. Há imensas coisas que se podem fazer no plano político, diplomático. É nesse plano que Portugal está e estará também, julgo eu, a União Europeia (UE)", afirmou.
Questionado sobre as ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, aos membros da OTAN que se recusam a apoiar Washington, Rangel as descartou categoricamente. Segundo Rangel, isso não merece absolutamente nenhuma reação.
O ministro acrescentou que tem mantido contato com seus homólogos na região do Golfo em busca de uma solução para evitar uma nova escalada. Segundo Rangel, esse é o ponto principal para todos, e o segundo é voltar à mesa de negociações.
Sobre a posição europeia mais ampla, Rangel afirmou que os membros da UE têm um amplo consenso a favor de trabalhar para restaurar a navegação pelo estreito.
"Todos estão dispostos, especialmente aqueles que mais meios tem - e quando digo meios, digo também meios diplomáticos - a cooperar nesse sentido. Agora, evidentemente, isso não implica uma deslocação de meios militares para a região", afirmou.
O ministro reconheceu que o conflito já está gerando "desvantagens", particularmente para a economia doméstica, alertando que uma nova escalada "é um risco que não pode ser descartado".