Governo brasileiro elogia projeto de reciprocidade do Senado com os Estados Unidos, mas defende "diálogo"

Fonte: Xinhua    03.04.2025 10h37

O governo brasileiro elogiou na terça-feira a iniciativa do Senado de levar adiante o chamado "Projeto de Lei da Reciprocidade" para aplicar tarifas aos Estados Unidos, embora tenha reafirmado que o caminho para a política tarifária do governo norte-americano deve ser de negociação e complementaridade econômica.

Em declaração à imprensa, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Geraldo Alckmin, afirmou que "ter um marco legal é positivo. Elogio a iniciativa do Congresso Nacional, no caso o Senado, que busca preservar os interesses do Brasil. Mas devo dizer que o caminho a seguir é o diálogo e a busca pela complementaridade econômica. Além disso, poderíamos até avançar em outras parcerias."

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal aprovou nesta terça-feira projeto de lei que permite ao Brasil adotar reciprocidade tarifária e ambiental no comércio com outros países. O texto foi aprovado por 16 votos a favor e nenhum contra. Caso nenhum senador solicite sua apreciação no plenário, o assunto irá diretamente para a Câmara dos Deputados, em regime de urgência.

O projeto de lei autoriza a reciprocidade para todos os países com os quais o Brasil faz comércio, mas ganhou força após as últimas medidas do presidente dos EUA, Donald Trump, que aumentou o imposto de importação de aço e alumínio brasileiros para 25% e anunciou que, a partir de 2 de abril, começou a impor novos impostos sobre produtos importados, conhecidos como "tarifas recíprocas".

Alckmin reiterou a disposição do governo brasileiro em dialogar e enfatizou que o país não representa problema para os Estados Unidos, que mantêm superávit comercial com o Brasil.

O ministro também mencionou a isenção aplicada aos produtos importados dos EUA e os 200 anos de relações diplomáticas entre as duas nações.

"Dos 10 produtos mais exportados para o Brasil, oito são isentos, ou seja, não pagam impostos de importação. Além disso, a tarifa média final sobre todos os produtos e serviços é de 2,7%. Então, o Brasil não é um problema para os Estados Unidos. A tarifa de 25% sobre aço e alumínio não foi direcionada ao Brasil, mas ao mundo inteiro", explicou.

Segundo Alckmin, a posição do governo brasileiro é de diálogo e busca por maior expansão do comércio exterior. "O comércio deve ser um cenário ganha-ganha, não um jogo de retaliação. O Brasil quer expandir seu comércio em uma relação recíproca baseada na competitividade", concluiu.

(Web editor: Beatriz Zhang, Renato Lu)
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