
O Supremo Tribunal Federal (STF), a corte máxima do Brasil, proibiu na segunda-feira (26) que o senador Flávio Bolsonaro, derrotado nas eleições presidenciais de domingo (25) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, saia do país, no âmbito de uma investigação por suposta lavagem de dinheiro.
A decisão foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes e inclui o cancelamento dos passaportes brasileiros do senador, inclusive o diplomático, a entrega, no prazo de 24 horas, de documentos de viagem de outras nacionalidades que ele porventura possua, e a proibição de manter contato com seu amigo e advogado Willer Tomaz, também investigado no caso.
Nas redes sociais, Flávio Bolsonaro afirmou ter sido notificado pela Polícia Federal ao sair da residência de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, e garantiu que cumprirá a ordem judicial.
Jair Bolsonaro, que governou o Brasil de 2018 a 2022, cumpre pena de 27 anos em regime de prisão domiciliar por ter liderado uma tentativa de golpe de Estado após perder as eleições de 2022.
O senador negou ter manifestado a intenção de deixar o Brasil caso perdesse as eleições e questionou a decisão de Moraes.
A decisão baseou-se em declarações de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos e tem um mandado de prisão expedido contra si pelo crime de coação no curso do processo, sobre a conveniência de uma eventual saída de Flávio do país após uma derrota eleitoral.
A investigação contra Flávio Bolsonaro teve início na Justiça Federal do Rio Grande do Sul, sob suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e possíveis irregularidades relacionadas a plataformas de apostas.
Segundo informações da imprensa brasileira, os investigadores encontraram e-mails que ligariam Flávio Bolsonaro a uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz.
O senador também é investigado em outro processo relacionado a supostas operações financeiras ligadas ao filme “Dark Horse”, que teria recebido pelo menos 65 milhões de reais, cerca de 12 milhões de dólares, do empresário Daniel Vorcaro, dono do falido Banco Master e preso por diversos crimes contra o sistema financeiro e por suborno a autoridades.