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Relações automotivas entre China e UE ganham novo impulso

Fonte: Diário do Povo Online    28.10.2026 14h57

Visitantes observam uma plataforma de trem de força para veículos elétricos inteligentes no estande da Chery, durante o Salão Internacional do Automóvel de Paris de 2026, em 13 de outubro. (Foto: Wu Huiwo/Xinhua)

A cooperação entre a China e a União Europeia no setor de veículos inteligentes conectados (ICV, na sigla em inglês) está passando por uma mudança profunda: da "troca de produtos" para a "construção de sistemas", afirmou Wang Zhisheng, vice-presidente da Câmara de Comércio da China junto à UE, em entrevista ao China Daily.

Essa transformação baseia-se na complementaridade tecnológica, explicou Wang. A China lidera em algoritmos de condução autônoma, baterias de potência e velocidade de atualização de sistemas via rede (over-the-air), contando com o maior volume de dados do mundo sobre condições complexas de tráfego. A Europa, por sua vez, traz um século de tradição na fabricação automotiva, padrões rigorosos de segurança, marcas premium e redes globais de vendas. "Trata-se de uma integração profunda entre o mercado de aplicação de novas tecnologias mais dinâmico do mundo e o sistema industrial mais maduro do planeta", disse ele.

A mudança no mercado é igualmente notável. Em maio, o número de emplacamentos mensais de carros novos de marcas chinesas na Europa superou, pela primeira vez, o de montadoras japonesas. No primeiro semestre de 2026, as fabricantes chinesas detinham 9,5% do mercado europeu total e quase 11% do segmento de veículos elétricos, informou Wang, citando dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA).

"As marcas chinesas conquistaram uma base sólida; a questão agora é como se consolidar ainda mais e avançar além", disse Wang, durante um fórum sobre ecossistemas de inovação para marcas de veículos inteligentes conectados, realizado em Beijing na semana passada. O evento debateu estratégias para auxiliar empresas chinesas do setor a expandirem sua presença no exterior.

O fórum ocorreu após a segunda reunião do mecanismo de consulta sobre comércio e investimento entre a China e a UE, realizada em Beijing, no início deste mês. O encontro resultou em 16 pontos de consenso, incluindo um entendimento sobre o comércio de veículos híbridos, em conformidade com as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC).

"A previsibilidade das políticas está melhorando. Isso oferece expectativas claras sobre as regras e faz com que a concorrência volte a se concentrar na inovação tecnológica e na abertura do mercado", concluiu Wang. Para aprofundar sua presença, as marcas chinesas precisam avançar na localização — passando de "vender carros para a Europa" para "fabricar carros na Europa". A fábrica da BYD na Hungria tem a previsão de iniciar a produção em larga escala no quarto trimestre de 2026, enquanto a joint venture da Chery com a espanhola Ebro começará a produzir até o final de 2026.

A conformidade (compliance) é outro obstáculo. "A conformidade não é um custo; é o bilhete de entrada na Europa", afirmou Wang.

A narrativa da marca também precisa ser reconstruída. Pesquisas com consumidores alemães mostram que, após realizarem testes de direção, muitos classificam a experiência ao volante proporcionada pelos veículos elétricos chineses como superior à oferecida por marcas europeias tradicionais. "A novidade está se transformando em confiança", observou Wang.

A expansão internacional de software enfrenta barreiras específicas, centradas na "soberania de dados e na continuidade da conformidade", explicou Wang. Isso inclui o armazenamento local de dados e a revisão de algoritmos, uma vez que sistemas de inteligência artificial de alto risco precisam ser registrados em um banco de dados da União Europeia.

Ele recomenda que as empresas integrem uma arquitetura de conformidade desde a fase de design, formem equipes locais de pesquisa de políticas, desenvolvam ecossistemas de pesquisa e desenvolvimento em parceria com empresas europeias e utilizem os padrões europeus para impulsionar o aprimoramento de seus produtos.

Quanto ao endurecimento, por parte da UE, das cotas para veículos híbridos e dos compromissos de preços, Wang destacou que, no Salão do Automóvel de Paris realizado no início deste mês, o número de marcas chinesas superou, pela primeira vez, a soma das marcas francesas e alemãs presentes.

Isso demonstra que a China deixou de ser "seguidora" para se tornar "líder". Contudo, ele ressalta que a presença em feiras não equivale, por si só, ao sucesso no mercado.

Wang defende uma abordagem em etapas: estabilização no curto prazo, por meio do alinhamento ao mecanismo de cotas — que utiliza a base de 302 mil unidades de 2025, permitindo o crescimento, mas controlando o ritmo; aprofundamento da localização no médio prazo — com projetos de produção de 10 empresas chinesas na Europa anunciados desde setembro de 2023; e, no longo prazo, a busca pela liderança na definição de padrões.

Segundo Wang, o consenso em torno do comércio de veículos híbridos marca uma transição de uma expansão internacional "oportunista" para uma "estratégica". Isso exige três mudanças fundamentais: a transição da exportação de produtos para a criação de capacidade produtiva no exterior — sendo a fábrica da BYD na Hungria e o investimento da CATL no mesmo país exemplos de compromissos concretos. De avanços pontuais à coordenação de ecossistemas por meio de parques industriais e alianças na cadeia de suprimentos; e da concorrência no mercado interno à construção de marcas globais por meio da valorização do posicionamento premium na Europa.

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