O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (ao centro), candidato do Partido dos Trabalhadores, faz um discurso após sua vitória no segundo turno das eleições presidenciais em São Paulo, Brasil, em 25 de outubro de 2026. (Foto: Paulo Lopes/Xinhua)
O candidato derrotado à presidência, Flávio Bolsonaro, abandonou os planos de buscar a anulação do segundo turno da eleição presidencial realizado no domingo (25). No entanto, ele pretende mover uma ação judicial separada contra a campanha do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, por abuso de poder, informou a imprensa brasileira na segunda-feira (26).
Lula venceu o segundo turno no domingo com 51,79% dos votos válidos, derrotando Bolsonaro, que obteve 48,21%, segundo os resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Bolsonaro, candidato pelo Partido Liberal (PL), de direita, recusou-se a reconhecer a derrota em declarações feitas em Brasília na noite de domingo, afirmando que buscaria a anulação do pleito.
Mais cedo, no domingo, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que os locais de votação em todo o país estendessem o horário de votação em duas horas, em resposta a transtornos causados por paralisações no transporte público e chuvas intensas. Vários canais da mídia brasileira apontam que a decisão não é incumbência do STF, mas do TSE, o que explica o descontentamento de muitos.
A extensão aplicou-se apenas aos locais de votação que ainda estavam abertos no momento em que a decisão foi tomada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Os locais que já haviam fechado não foram reabertos, segundo informou a mídia brasileira.
Bolsonaro argumentou que a medida prejudicou os eleitores em áreas onde os locais de votação não foram reabertos e afirmou que sua equipe jurídica contestaria os resultados da eleição.
No entanto, aliados e advogados convenceram-no a desistir do plano, argumentando que uma contestação da validade da eleição tinha pouco fundamento jurídico e dificilmente teria sucesso nas instâncias eleitorais ou no Supremo Tribunal Federal, informou o jornal Folha de S.Paulo.
Em vez disso, Bolsonaro planejava apresentar uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral, buscando a cassação da chapa de Lula devido a supostos abusos de poder político e econômico durante a campanha, informou a CNN Brasil, citando integrantes da campanha de Bolsonaro.
"O que ele fez foi um abuso sem precedentes de poder político e econômico, criando um desequilíbrio total na disputa eleitoral", disse Bolsonaro em um vídeo publicado nas redes sociais.
Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal, afirmou na segunda-feira que a legenda reconheceu o resultado da eleição.
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, determinou ainda na segunda-feira, que Bolsonaro entregue seus passaportes à Polícia Federal no prazo de 24h e proibiu sua saída do país. A decisão faz parte de uma investigação que envolve Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, segundo a Agência Brasil, agência pública de notícias do país.
Moraes também proibiu Flávio Bolsonaro de manter contato com Tomaz, informou a imprensa brasileira. Ambos estão sendo investigados pela Polícia Federal sob suspeita de lavagem de dinheiro e operações de câmbio ilegais.
Em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro alegou que a decisão de Alexandre de Moraes se baseia numa fala de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, na sexta-feira (23), alegando que caso Flávio Bolsonaro perdesse as eleições deveria ir para os EUA, pois seria perseguido. Flávio acrescentou que foi notificado pela Polícia Federal enquanto saia da casa de seu pai, Jair Bolsonaro.
O deputado federal Mauricio Marcon, do Partido Liberal, afirmou na terça-feira (27) que Flávio Bolsonaro havia deixado o Brasil e estava a caminho dos Estados Unidos.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva criticou, no mesmo dia, o candidato presidencial derrotado Flávio Bolsonaro por ter deixado o país após a eleição, classificando a atitude como "vergonhosa".
"Lamento que ele tenha deixado o Brasil... E a decisão dele de sair do Brasil é vergonhosa", disse Lula a apoiadores que se reuniram em frente ao Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência em Brasília, para celebrar seu aniversário de 81 anos.
Veículos da imprensa brasileira informaram que não há registro, no sistema de controle migratório do país, de que ele tenha deixado o Brasil por meio dos postos de fronteira regulares. A Polícia Federal investiga se ele deixou o país e, em caso afirmativo, como isso teria ocorrido.
Na noite de terça-feira, o canal de notícias UOL informou que uma fonte próxima à Flávio Bolsonaro confirmou sua chegada nos EUA na tarde do mesmo dia. “O Senador e ex-candidato à presidência vai dar uma coletiva de imprensa amanhã”. Em nota a fonte disse que Flávio Bolsonaro irá explicar dos EUA porque e como foi para os EUA e o que pretende fazer a partir de então.