
Robôs de transporte inteligentes em um terminal de contêineres do Porto de Tianjin, no norte da China. (Zhao Zishuo/Xinhua)
Para os motoristas que atravessam a Ponte do Rio Amarelo de Guandu, na província de Henan, no centro da China, trata-se apenas de uma rotina em uma rodovia movimentada. No entanto, uma rede sofisticada e invisível de tecnologias digitais inteligentes atua intensamente acima e abaixo do asfalto.
Esse sistema foi criado para enfrentar um desafio bastante prático. Inaugurada em outubro de 2019, a ponte de oito faixas enfrentava, há tempos, uma grande pressão no que diz respeito à manutenção e à gestão de segurança. Para solucionar problemas como pontos cegos, lentidão na resposta e baixa eficiência na conservação tradicional, foi implementado um modelo de operações inteligentes que abrange todo o processo de gestão da estrutura.
Em março de 2025, a operadora da ponte estabeleceu uma unidade dedicada à inspeção por drones, equipada com dois tipos de aeronaves. Drones multirotores realizam verificações detalhadas das superfícies da ponte, identificam riscos e criam modelos 3D, enquanto drones de asa fixa cobrem um raio de 35 quilômetros em um único voo, permitindo o patrulhamento de longos trechos da rodovia.
Em conjunto com as equipes de administração viária e as equipes de manutenção manual, os drones compõem um sistema de "patrulhamento aéreo e vigilância terrestre", projetado para oferecer cobertura abrangente em qualquer condição climática.
As capacidades inteligentes da ponte vão além do patrulhamento aéreo. Um "gêmeo digital" (digital twin) completo replica o tabuleiro, os guarda-corpos, os pilares e as instalações auxiliares em um ambiente virtual. Dispositivos que combinam radar e visão computacional permitem ao sistema detectar estacionamentos irregulares, invasões e anomalias nas instalações, mesmo durante a noite ou sob neblina. Quando um risco é identificado, alertas são vinculados ao modelo 3D e apontam para locais específicos, substituindo o método antigo de estimar posições com base em marcos quilométricos.
Essa modernização faz parte de uma iniciativa mais ampla na província de Henan, no centro da China, que desenvolveu equipamentos para a detecção rápida das condições das vias, além de uma plataforma de manutenção inteligente.
Shan Fei, gerente geral do Instituto de Pesquisa de Desenvolvimento de Transportes de Henan (Henan Transportation Development Research Institute Co., Ltd.), afirmou que a província concluiu a coleta de dados digitais e a modelagem 3D de 31 mil quilômetros de rodovias principais, utilizando o sistema de posicionamento por satélite chinês BeiDou (BDS) e o mapeamento por nuvem de pontos a laser.
A base de dados resultante abrange 127 tipos de ativos — incluindo leitos viários, pavimentos, pontes, túneis e dispositivos de segurança viária —, constituindo, segundo ele, a maior base digital de ativos rodoviários em nível provincial na China.
"Desde um simples marco quilométrico ou balizador até uma ponte ou túnel com um quilômetro de extensão, cada elemento está, agora, sob gestão digital", disse Shan.
A ponte Guandu é um microcosmo do esforço mais amplo da China para integrar a inteligência artificial (IA) ao setor de transportes. Segundo Liu Wei, ministro dos Transportes da China, mais de 7,8 mil quilômetros de rodovias passaram por atualizações digitais e inteligentes. Além disso, foram construídos 60 terminais automatizados, e cerca de 27 milhões de equipamentos em todo o setor utilizam, atualmente, o sistema BeiDou (BDS).
De acordo com o Ministério dos Transportes, em 2025, 696 pontes de grande vão — que cruzam rios, mares e desfiladeiros — foram integradas a uma rede de monitoramento de três níveis, conectando sistemas nacionais, provinciais e específicos de cada ponte. Isso permite o compartilhamento instantâneo de dados das estruturas, bem como de informações de monitoramento e alertas.
O apoio por meio de políticas públicas também está sendo ampliado. Em setembro de 2025, sete órgãos governamentais, incluindo o Ministério dos Transportes, publicaram diretrizes sobre a aplicação de IA no setor, estabelecendo um cronograma e um roteiro estratégico para a área.
Em 2026, as autoridades lançaram um plano de ação para criar cenários de aplicação prática em áreas como condução autônoma, rodovias inteligentes, fiscalização inteligente e transporte marítimo inteligente, com o objetivo de implementar mais de 100 projetos-piloto e reunir mais de mil inovadores.
"A combinação de IA e transportes tornou-se o novo eixo central para fortalecer a capacidade logística e de transporte da China", afirmou Wang Yunpeng, presidente da Associação de Sistemas Inteligentes de Transporte da China. Ele destacou que uma rede de transportes moderna, abrangente e multimodal está ganhando forma, avançando rapidamente rumo à digitalização, à inteligência, à integração e ao desenvolvimento sustentável.
China utiliza tecnologias inteligentes para impulsionar modernização da rede de transportes
Robôs de transporte inteligentes em um terminal de contêineres do Porto de Tianjin, no norte da China. (Zhao Zishuo/Xinhua)
Para os motoristas que atravessam a Ponte do Rio Amarelo de Guandu, na província de Henan, no centro da China, trata-se apenas de uma rotina em uma rodovia movimentada. No entanto, uma rede sofisticada e invisível de tecnologias digitais inteligentes atua intensamente acima e abaixo do asfalto.
Esse sistema foi criado para enfrentar um desafio bastante prático. Inaugurada em outubro de 2019, a ponte de oito faixas enfrentava, há tempos, uma grande pressão no que diz respeito à manutenção e à gestão de segurança. Para solucionar problemas como pontos cegos, lentidão na resposta e baixa eficiência na conservação tradicional, foi implementado um modelo de operações inteligentes que abrange todo o processo de gestão da estrutura.
Em março de 2025, a operadora da ponte estabeleceu uma unidade dedicada à inspeção por drones, equipada com dois tipos de aeronaves. Drones multirotores realizam verificações detalhadas das superfícies da ponte, identificam riscos e criam modelos 3D, enquanto drones de asa fixa cobrem um raio de 35 quilômetros em um único voo, permitindo o patrulhamento de longos trechos da rodovia.
Em conjunto com as equipes de administração viária e as equipes de manutenção manual, os drones compõem um sistema de "patrulhamento aéreo e vigilância terrestre", projetado para oferecer cobertura abrangente em qualquer condição climática.
As capacidades inteligentes da ponte vão além do patrulhamento aéreo. Um "gêmeo digital" (digital twin) completo replica o tabuleiro, os guarda-corpos, os pilares e as instalações auxiliares em um ambiente virtual. Dispositivos que combinam radar e visão computacional permitem ao sistema detectar estacionamentos irregulares, invasões e anomalias nas instalações, mesmo durante a noite ou sob neblina. Quando um risco é identificado, alertas são vinculados ao modelo 3D e apontam para locais específicos, substituindo o método antigo de estimar posições com base em marcos quilométricos.
Essa modernização faz parte de uma iniciativa mais ampla na província de Henan, no centro da China, que desenvolveu equipamentos para a detecção rápida das condições das vias, além de uma plataforma de manutenção inteligente.
Shan Fei, gerente geral do Instituto de Pesquisa de Desenvolvimento de Transportes de Henan (Henan Transportation Development Research Institute Co., Ltd.), afirmou que a província concluiu a coleta de dados digitais e a modelagem 3D de 31 mil quilômetros de rodovias principais, utilizando o sistema de posicionamento por satélite chinês BeiDou (BDS) e o mapeamento por nuvem de pontos a laser.
A base de dados resultante abrange 127 tipos de ativos — incluindo leitos viários, pavimentos, pontes, túneis e dispositivos de segurança viária —, constituindo, segundo ele, a maior base digital de ativos rodoviários em nível provincial na China.
"Desde um simples marco quilométrico ou balizador até uma ponte ou túnel com um quilômetro de extensão, cada elemento está, agora, sob gestão digital", disse Shan.
A ponte Guandu é um microcosmo do esforço mais amplo da China para integrar a inteligência artificial (IA) ao setor de transportes. Segundo Liu Wei, ministro dos Transportes da China, mais de 7,8 mil quilômetros de rodovias passaram por atualizações digitais e inteligentes. Além disso, foram construídos 60 terminais automatizados, e cerca de 27 milhões de equipamentos em todo o setor utilizam, atualmente, o sistema BeiDou (BDS).
De acordo com o Ministério dos Transportes, em 2025, 696 pontes de grande vão — que cruzam rios, mares e desfiladeiros — foram integradas a uma rede de monitoramento de três níveis, conectando sistemas nacionais, provinciais e específicos de cada ponte. Isso permite o compartilhamento instantâneo de dados das estruturas, bem como de informações de monitoramento e alertas.
O apoio por meio de políticas públicas também está sendo ampliado. Em setembro de 2025, sete órgãos governamentais, incluindo o Ministério dos Transportes, publicaram diretrizes sobre a aplicação de IA no setor, estabelecendo um cronograma e um roteiro estratégico para a área.
Em 2026, as autoridades lançaram um plano de ação para criar cenários de aplicação prática em áreas como condução autônoma, rodovias inteligentes, fiscalização inteligente e transporte marítimo inteligente, com o objetivo de implementar mais de 100 projetos-piloto e reunir mais de mil inovadores.
"A combinação de IA e transportes tornou-se o novo eixo central para fortalecer a capacidade logística e de transporte da China", afirmou Wang Yunpeng, presidente da Associação de Sistemas Inteligentes de Transporte da China. Ele destacou que uma rede de transportes moderna, abrangente e multimodal está ganhando forma, avançando rapidamente rumo à digitalização, à inteligência, à integração e ao desenvolvimento sustentável.