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Cúpula do BRICS impulsiona o Sul Global

Fonte: Diário do Povo Online    15.09.2026 14h04

A cúpula do BRICS em Nova Déli fortaleceu pontos em comum entre as principais nações do Sul Global em temas como desenvolvimento, cooperação, multilateralismo e reforma da governança global, em meio à volatilidade mundial e a conflitos regionais recorrentes — segundo autoridades e analistas, após a conclusão da visita de dois dias do presidente Xi Jinping à Índia, no domingo.

O encontro, que reuniu Xi e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, para o terceiro ano consecutivo de conversas bilaterais, também deu um novo impulso à melhoria das relações entre os dois vizinhos, com implicações mais amplas para a estabilidade regional e a cooperação no Sul Global, afirmaram.

Ao falar com jornalistas, após o término da visita de Xi, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, descreveu a viagem como um importante compromisso diplomático com países do Sul Global, realizado no ano de início do 15º Plano Quinquenal da China (2026-2030).

Realizada após as visitas de Xi à Ásia Central e ao Oriente Médio no início deste mês, a viagem teve significado estratégico para promover uma cooperação de alta qualidade dentro do grupo BRICS ampliado e fortalecer a solidariedade do Sul Global, disse Wang.

Em menos de 24 horas na capital indiana, Xi participou de quase 10 eventos, discutiu o desenvolvimento e a cooperação com líderes do BRICS, e manteve conversas aprofundadas com Modi para traçar os rumos das relações bilaterais, relatou Wang.

Este ano marca o 20º aniversário da cooperação do BRICS.

Na cúpula, Xi afirmou que a solidariedade e a cooperação sempre foram a fonte da força do grupo.

Ele conclamou os países do BRICS a assumirem um papel de liderança no desenvolvimento impulsionado pela inovação, na salvaguarda da paz e da estabilidade, na promoção de intercâmbios e do aprendizado mútuo entre civilizações, e na reforma e aprimoramento da governança global.

Diante de uma nova conjuntura histórica, Xi respondeu às altas expectativas dos países do Sul Global ao reafirmar a missão histórica da cooperação do BRICS e traçar seu curso futuro, disse Wang, observando que o apelo de Xi elevou a importância estratégica da cooperação do BRICS e reforçou a determinação e a confiança dos membros em buscar força por meio da solidariedade. Em uma coletiva de imprensa realizada no sábado, Sudhakar Dalela, secretário de relações econômicas do Ministério das Relações Exteriores da Índia, afirmou que houve uma ampla convergência entre os líderes do BRICS sobre a necessidade de fortalecer o multilateralismo e tornar as instituições de governança global mais representativas, inclusivas, eficazes e responsivas às realidades atuais.

Xi disse durante a cúpula que os países do Sul Global devem defender conjuntamente o Estado de Direito nas relações internacionais, hastear a bandeira do multilateralismo, manter o compromisso com uma filosofia de desenvolvimento centrada nas pessoas, e promover conjuntamente a governança da segurança.

Ele propôs cinco iniciativas para uma cooperação de "BRICS ampliado" nas áreas de inteligência artificial, facilitação de comércio e investimentos, indústria digital, manufatura inteligente e desenvolvimento de talentos.

Lawrence Loh, diretor do Centro de Governança e Sustentabilidade da Escola de Negócios da Universidade Nacional de Singapura, afirmou que o "BRICS ampliado" se destacou por planos concretos para beneficiar populações de países além de seus membros.

"A cúpula do BRICS traz uma mensagem implícita mais ampla para a comunidade internacional: o desenvolvimento global não pode se basear em uma mentalidade de jogo de soma zero, em que o desenvolvimento é buscado às custas de outros", disse ele.

Swaran Singh, ex-professor de relações internacionais da Universidade Jawaharlal Nehru, em Déli (Índia), observou que Xi apresentou o "BRICS ampliado" como uma plataforma para uma ordem mais multipolar e baseada em regras, com forte ênfase na cooperação prática.

Ele afirmou que as propostas de Xi coincidiam significativamente com a ênfase da própria Índia em tecnologia, cadeias de suprimentos resilientes e um papel mais forte para o Sul Global na definição dos rumos das relações internacionais.

Com a China pronta para assumir a presidência rotativa do BRICS pela quarta vez no próximo ano, Wang disse que o país manteria seu compromisso e apoio ao Sul Global, compartilhando oportunidades e buscando o desenvolvimento comum no caminho rumo à modernização.

A reunião bilateral entre Xi e Modi, realizada após as conversas em Kazan (Rússia) em 2024 e em Tianjin (norte da China) em 2025, também colocou em foco os rumos das relações entre China e Índia.

Wang afirmou que os dois líderes realizaram trocas francas e aprofundadas sobre questões estratégicas e de longo prazo que moldam as relações bilaterais, sendo o consenso mais importante o de que a China e a Índia devem ser parceiras. Sob a orientação estratégica dos líderes, as relações se recuperaram gradualmente de um ponto baixo, com uma cooperação cada vez mais ampla, comércio bilateral recorde e intercâmbios interpessoais mais ativos, disse Wang.

A melhoria das relações atende aos interesses das mais de 2,8 bilhões de pessoas de ambos os países e é também importante para fortalecer a cooperação do Sul Global, acrescentou ele.

O Ministério das Relações Exteriores da Índia afirmou, em comunicado no sábado, que os líderes saudaram o progresso constante nas relações desde o encontro em Tianjin e reafirmaram a necessidade de adotar uma perspectiva estratégica e de longo prazo em relação aos laços bilaterais.

"Diferenças não devem se transformar em disputas", dizia o comunicado.

Wang afirmou que o desenvolvimento de cada país oferece oportunidades para o outro e que a cooperação entre a China e a Índia tem um significado que vai muito além dos laços bilaterais, com implicações para o Sul Global e para o mundo como um todo.

Ele instou ambos os lados a consolidar a melhoria conquistada com esforço e a implementar o consenso alcançado pelos líderes, a fim de contribuir para a paz e a prosperidade regionais e globais.

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