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Bicicletas elétricas chinesas impulsionam mudança global na mobilidade urbana

Fonte: Diário do Povo Online    15.09.2026 13h18

Um trabalhador monta uma bicicleta elétrica equipada com inteligência artificial em uma fábrica da Huizhou Ruijianxing New Energy Technology Co., em Huizhou, província de Guangdong, em 1º de julho. (Foto: Liang Xu/Xinhua)

"O melhor de ter uma bicicleta elétrica é que você simplesmente passa pelas pessoas", disse um avaliador da DYU, uma marca de e-bikes sediada em Shenzhen, província de Guangdong, em um vídeo no Instagram. "Você coloca no nível máximo de assistência e ela ajuda na pedalada. Dá para subir ladeiras e evitar multidões. É um passeio dos sonhos."

Essa sensação de mobilidade sem esforço é uma das razões pelas quais as e-bikes estão remodelando o transporte urbano e por que os fabricantes chineses estão se expandindo rapidamente para o exterior.

A China já foi conhecida como o "reino das bicicletas", época em que elas eram o meio de transporte mais comum entre os moradores do país. Hoje, a nação está se tornando a potência mundial das bicicletas elétricas (e-bikes).

Caminhe pelos canais de Amsterdã, na Holanda, pelas ruas de Munique, na Alemanha, ou pelas vias exclusivas para bicicletas de Portland, no Oregon (EUA), e será impossível não notar as bicicletas.

Em 2025, os fabricantes chineses exportaram 26,7 milhões de veículos elétricos de duas rodas, totalizando US$ 6,829 bilhões.

No centro desse crescimento estava a bicicleta elétrica, uma máquina muito parecida com a bicicleta tradicional, mas que combina pedais com sensores, bateria e um motor elétrico silencioso, transformando pontes íngremes e longos trajetos diários em percursos fáceis de realizar.

Para muitos ciclistas, o atrativo vai além da conveniência. Estudos mostram que as e-bikes incentivam mais pessoas a pedalar regularmente, especialmente idosos e pessoas com mobilidade reduzida ou dores no joelho.

"Não se trata apenas de uma bicicleta com bateria", disse Lu Jinlong, presidente honorário da Associação de Bicicletas e Veículos Elétricos de Jiangsu. "É uma resposta à forma como as pessoas querem viver: de maneira mais saudável, ecológica e menos dependente de carros."

O mercado reflete essa mudança. O número de marcas de e-bikes nos EUA dobrou, passando de cerca de 100 em 2021 para aproximadamente 200 em 2022, sendo que a maioria das novas empresas no mercado era de origem chinesa. No Sudeste Asiático, a alta dos preços dos combustíveis e o agravamento dos congestionamentos também estão acelerando a demanda por veículos elétricos de duas rodas.

Segundo a consultoria empresarial americana Frost & Sullivan, o mercado europeu de bicicletas elétricas foi avaliado em 15 bilhões de euros (US$ 17,3 bilhões) em 2024 e tem previsão de crescimento para 21,2 bilhões de euros até 2029. Em nível global, a Fortune Business Insights projeta que o mercado cresça de US$ 50,14 bilhões em 2024 para US$ 148,7 bilhões até 2032.

Enquanto os consumidores chineses adotaram amplamente as scooters elétricas de baixo custo para deslocamentos de curta distância, as cidades europeias oferecem um cenário diferente: ampla infraestrutura cicloviária, subsídios governamentais e uma cultura de ciclismo profundamente enraizada. Assim, a região tornou-se um campo de testes ideal para bicicletas elétricas premium.

Essa oportunidade atraiu a empreendedora de Shenzhen, Liang Xiaoling, para o mercado europeu.

Em 2021, Liang fundou a TENWAYS com uma ideia simples: combinar a eficiência de manufatura da China com o design europeu e a inteligência baseada em software.

Com o apoio de investidores como Hillhouse, Tencent e L Catterton, a TENWAYS atualmente vende mais de 96% de suas bicicletas elétricas para a Europa e prepara-se para o que pode vir a ser a primeira abertura de capital em Hong Kong de uma empresa dedicada exclusivamente ao setor de bicicletas elétricas.

Seu principal modelo voltado para deslocamentos urbanos vendeu mais de 50.000 unidades em apenas quatro anos. Entre 2022 e 2024, a TENWAYS tornou-se a marca de bicicletas elétricas que mais cresceu na Bélgica, nos Países Baixos e em Luxemburgo, conquistando 5,9% do segmento de mobilidade urbana. Suas bicicletas elétricas são vendidas no varejo por valores entre 1.299 e 4.999 euros, posicionando a empresa firmemente no mercado premium do setor.

Por trás desse posicionamento premium reside a maior vantagem competitiva da China: seu ecossistema de manufatura.

Aglomerados industriais no Delta do Rio das Pérolas e no Delta do Rio Yangtzé produzem praticamente todos os componentes principais, de quadros e motores a baterias, sensores e sistemas de controle eletrônico, permitindo que as empresas reduzam os ciclos de desenvolvimento e, ao mesmo tempo, controlem os custos.

Em novembro, a fabricante chinesa de bicicletas elétricas Urtopia adquiriu a Pedego, uma marca americana tradicional do setor, um sinal de que empresas chinesas também estão recorrendo a aquisições para consolidar o valor de marca nos mercados ocidentais.

Para as empresas chinesas, o desafio já não é provar que marcas do país conseguem produzir bicicletas elétricas premium, mas sim manter a inovação num mercado em rápida expansão, onde tecnologia, design e reconhecimento da marca estão se tornando tão importantes quanto a escala de produção.

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