Um dos principais importadores de carne da China concordou em comprar 50 mil toneladas de carne bovina brasileira certificada como livre de desmatamento até o final de 2027, refletindo uma mudança discreta que está remodelando a produção no Brasil e ajudando a proteger sua floresta amazônica.
Como o maior comprador mundial de carne bovina e soja brasileiras, a China está cada vez mais demonstrando, com seu poder de compra, a preferência por alimentos sustentáveis. A Associação de Carnes de Tianjin, no norte da China, assinou o acordo na quarta- feira (3).
Apesar de ter um preço estimado entre 5% e 10% superior ao da carne bovina convencional, Xing Yanling, presidente da associação, está confiante de que os produtos encontrarão mercado.
"Espera-se que os produtos cheguem a supermercados premium, restaurantes sofisticados e plataformas de streaming ao vivo, onde sua rastreabilidade completa e o fato de serem livres de desmatamento serão os principais atrativos", disse Xing.
"Os consumidores chineses estão olhando além do preço, e fatores como rastreabilidade e qualidade consistente estão se tornando cada vez mais importantes", disse Zhang Xinhao, CEO de uma empresa chinesa de importação de carne bovina.
Xing liderou uma visita ao Brasil em abril, onde membros da associação participaram de uma visita de inspeção. Desde que retornou, ela frequentemente descreve aos amigos a experiência inesquecível de estar envolvida por milhares de tons de verde. "Esperamos conquistar mais consumidores com produtos livres de desmatamento, para que a demanda possa impulsionar a produção sustentável", disse ela.
O interesse por produtos de origem sustentável não se limita à carne bovina. Em 2025, a COFCO International, a Modern Farming e a China Shengmu Organic Milk assinaram um acordo para fornecer 1,5 milhão de toneladas de soja brasileira sustentável para a China entre 2025 e 2030, com auditoria independente de terceiros para garantir a ausência de desmatamento.
Xing liderou uma visita ao Brasil em abril, onde membros da associação participaram de uma visita de inspeção. "A aquisição de produtos livres de desmatamento pela China demonstra o senso de responsabilidade de uma grande nação e tem sido amplamente reconhecida pela comunidade internacional", disse Zhu Chunquan, consultor sênior da Aliança para Florestas Tropicais do Fórum Econômico Mundial. Zhu afirmou que essa mudança reflete anos de direcionamento da política nacional chinesa para o desenvolvimento verde e de baixo carbono.
De acordo com o 15º Plano Quinquenal da China (2026-2030), o país acelerará o desenvolvimento de padrões de produção e consumo verdes, fortalecerá os incentivos políticos, promoverá uma transformação econômica de baixo carbono, aprimorará os mecanismos para incentivar o consumo verde e expandirá a escala de compras governamentais de produtos verdes.
"Como um grande importador global, a recusa da China em comprar produtos ligados ao desmatamento pode direcionar os produtores para práticas mais sustentáveis, contribuindo para a proteção das florestas tropicais e a mitigação das mudanças climáticas", disse Zhu.
A tendência de consumo verde da China também envia um sinal concreto ao mercado para um parceiro comercial importante como o Brasil, além de demonstrar o compromisso nacional em incentivar mudanças estruturais para resultados ambientais.
Laudemir Müller, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ABPI), afirmou que a crescente conscientização ambiental entre os consumidores chineses destaca a complementaridade estratégica entre os dois países.
"A China é a maior compradora de soja e carne bovina do Brasil", disse ele. A demanda chinesa por produtos agrícolas sustentáveis incentiva os produtores brasileiros a continuarem adotando práticas sustentáveis em todo o processo produtivo, agregando valor e aumentando a competitividade internacional, além de contribuir para a proteção das florestas, acrescentou.
Bai Yunwen, vice-presidente do Instituto de Finanças e Sustentabilidade, sugeriu que os dois países ampliem o reconhecimento mútuo de padrões de sustentabilidade, bem como a cooperação em tecnologia agrícola e financiamento verde.
"Como membros importantes do Sul Global, a cooperação bilateral entre China e Brasil em agricultura verde é de grande importância para a segurança alimentar global e a estabilidade climática, servindo como referência para a transição da agricultura global rumo a um futuro verde e sustentável", disse Bai.