
Um trem carga China-Europa
A China e a União Europeia desfrutam de uma relação econômica profundamente interligada, com cadeias de suprimentos em energia verde, produtos farmacêuticos e manufatura de alta tecnologia fortemente conectadas, disseram especialistas, alertando que a verdadeira ameaça não é a interdependência, mas a pressão de Bruxelas para "reduzir os riscos".
Eles pediram que os dois lados gerenciem adequadamente suas diferenças e encontrem mais pontos em comum por meio do diálogo em termos iguais, o que atende aos melhores interesses de ambos os lados e injetará certeza numa recuperação econômica global tímida.
Desde o início do ano, Bruxelas vem expandindo seu arsenal de defesa comercial, revelando uma série de medidas restritivas direcionadas a empresas e produtos chineses.
Mais recentemente, sua pressão para forçar as empresas europeias a diversificar seus fornecedores sob a proposta de revisão da Lei de Segurança Cibernética da UE está acumulando ainda mais barreiras ao investimento e discriminação institucional, com a China sofrendo o impacto mais forte.
No último sábado, o Ministério do Comércio anunciou que a China e a UE estão discutindo o estabelecimento de um "mecanismo de consulta sobre comércio e investimento" e que realizarão conversas sobre o assunto.
A China e a UE são "parceiras econômicas e comerciais importantes, baseadas na igualdade e no benefício mútuo", afirmou um porta-voz do ministério.
O porta-voz expressou a esperança de que a UE trabalhe com a China para resolver as diferenças e os atritos por meio do diálogo e da consulta, e promova o desenvolvimento estável e sólido das relações econômicas e comerciais entre a China e a UE.
Caso o lado europeu insista em impor unilateralmente novos entraves comerciais e restrições discriminatórias, a China "responderá com firmeza e tomará medidas eficazes" para salvaguardar seus próprios interesses, acrescentou o porta-voz.
Um dia antes do anúncio do ministério, o Colégio de Comissários da Comissão Europeia realizou um debate de orientação sobre as relações UE-China, afirmando que a abordagem geral continua sendo a de "reduzir os riscos, não desvincular".
"A China é um parceiro fundamental, e o engajamento e o diálogo continuarão", acrescentou a Comissão.
O comércio entre a China e a UE atingiu o recorde de US$ 828,1 bilhões em 2025, um aumento anual de 5,4%, mantendo-se como os segundos maiores parceiros comerciais um do outro, segundo dados da alfândega chinesa.
A vitalidade das relações econômicas e comerciais entre a China e a UE reside na complementaridade natural de suas estruturas econômicas, afirmou Tu Xinquan, reitor do Instituto Chinês de Estudos da OMC da Universidade de Negócios Internacionais e Economia de Beijing.
A força da Europa em manufatura de alta tecnologia, instrumentos de precisão, automóveis, aeroespacial, produtos farmacêuticos e bens de luxo se encaixa perfeitamente com o mercado gigantesco da China, suas cadeias industriais e de suprimentos completas e sua capacidade de consumo em constante expansão, disse Tu.
Uma pesquisa recente da Câmara de Comércio da União Europeia na China mostrou que as empresas europeias estão intensificando a produção na China, apesar da pressão da UE para reduzir riscos.
A China continua sendo "a campeã absoluta em cadeias de suprimentos altamente eficientes e econômicas", com 75% dos entrevistados descrevendo sua produção na China como mais eficiente do que as operações em outros lugares, segundo a pesquisa.
Jian Junbo, diretor do Centro de Relações China-Europa da Universidade de Fudan, afirmou que, com a China agora firmemente estabelecida como o principal polo manufatureiro mundial, o caminho mais pragmático para a UE é abordar as diferenças comerciais por meio do diálogo e da consulta, em vez de medidas unilaterais.