Pesquisadores brasileiros desenvolveram um biossensor eletroquímico capaz de detectar câncer de pâncreas em estágios iniciais de forma rápida e a baixo custo, anunciou na segunda-feira a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
O dispositivo, criado por cientistas do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), identifica a proteína CA19-9 no sangue, principal biomarcador associado a esse tipo de câncer, mesmo em concentrações muito baixas, facilitando a detecção precoce por meio de um método mais simples do que os testes convencionais.
"Em seus estágios iniciais, o câncer de pâncreas é assintomático, o que significa que muitas vezes é diagnosticado tardiamente. Por isso, é um dos cânceres mais letais", explicou Débora Gonçalves, coordenadora do projeto, observando que, em estágios avançados, a taxa de sobrevida em cinco anos é de apenas 3%.
"Nos ensaios que realizamos, obtivemos resultados estatisticamente semelhantes aos dos testes tradicionais", afirmou Gabriella Soares, autora principal do estudo, destacando que o método pode representar uma alternativa mais acessível a técnicas como o ensaio imunoenzimático (ELISA), que exigem infraestrutura laboratorial, pessoal especializado e tempos de processamento mais longos.
De acordo com o comunicado de imprensa da FAPESP, os pesquisadores visam desenvolver uma ferramenta de triagem de baixo custo que amplie o acesso ao diagnóstico precoce, especialmente em contextos com recursos limitados.
A equipe também está trabalhando para aumentar o número de amostras analisadas, incorporando outros fluidos, como saliva e urina, e aplicando técnicas de aprendizado de máquina para melhorar a precisão dos resultados.