O chamado "consenso" alcançado pelas autoridades do Partido Progressista Democrata (PPD) de Taiwan nas negociações tarifárias com os Estados Unidos equivale a uma traição ao bem-estar do povo de Taiwan e aos interesses de seu desenvolvimento industrial, disse um porta-voz da parte continental da China na quarta-feira.
Peng Qing'en, porta-voz do Departamento dos Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, fez essas declarações em uma coletiva de imprensa quando questionado sobre as recentes negociações tarifárias entre as autoridades do PPD e os Estados Unidos.
O Departamento de Comércio dos EUA anunciou que Taiwan fará novos investimentos diretos totalizando pelo menos US$ 250 bilhões nos Estados Unidos por meio de suas empresas de semicondutores e tecnologia, e fornecerá garantias de crédito de pelo menos US$ 250 bilhões para empresas de Taiwan que investem nos Estados Unidos, em troca de uma tarifa recíproca dos EUA sobre produtos fabricados em Taiwan de não mais de 15%.
As autoridades do PPD alegaram que essas negociações tarifárias com os Estados Unidos haviam alcançado seus objetivos.
"As chamadas negociações comerciais são, em essência, os Estados Unidos usando tarifas para exercer pressão máxima, coagindo Taiwan a aumentar drasticamente os investimentos nos Estados Unidos e tentando esvaziar as indústrias vantajosas de Taiwan", disse o porta-voz.
A tolerância do PPD com relação aos Estados Unidos estarem saqueando as indústrias de Taiwan "só colocará completamente em risco as perspectivas de desenvolvimento da ilha", observou Peng.
Respondendo a uma pergunta sobre as declarações do Secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, de que Washington pretende transferir 40% da capacidade da cadeia de suprimentos de semicondutores de Taiwan para os Estados Unidos, Peng disse que tal medida eliminaria as principais forças industriais da ilha.
O resultado das negociações tarifárias provou plenamente que buscar a "independência de Taiwan" é um beco sem saída e que depender de forças externas é inútil, disse Peng.
Em uma reunião recente com uma delegação do estado americano do Arizona, o líder taiwanês Lai Ching-te disse que esperava que empresas como a Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC) mantivessem uma presença de longo prazo nos Estados Unidos e criassem empregos locais bem remunerados.
Comentando sobre essas observações, Peng afirmou que os Estados Unidos têm sempre colocado seus próprios interesses em primeiro lugar, e que o chamado esforço de cooperação comercial e da cadeia de suprimentos EUA-Taiwan apenas drenaria a economia de Taiwan.
Relata-se que os custos de mão de obra na fábrica da TSMC nos EUA são cerca do dobro dos de Taiwan, enquanto sua receita bruta é apenas cerca de um oitavo da gerada na ilha, disse Peng, acrescentando que aumentar ainda mais o investimento da TSMC nos Estados Unidos só prejudicaria as bases industriais de Taiwan.