Um enviado chinês condenou veementemente, na segunda-feira (5), a ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela numa reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
"A China está profundamente chocada e condena veementemente os atos unilaterais, ilegais e de intimidação praticados pelos Estados Unidos", disse Sun Lei, encarregado de negócios da Missão Permanente da China nas Nações Unidas.
Sun fez as declarações numa reunião de emergência do Conselho de Segurança após o ataque dos EUA à Venezuela.
"Em 3 de janeiro, os Estados Unidos lançaram descaradamente ataques militares em larga escala contra a Venezuela, prenderam à força o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa e os levaram para fora do país. Alegaram que iriam 'governar' a Venezuela e não descartaram a possibilidade de lançar uma segunda rodada de operações militares numa escala ainda maior", observou Sun.
Há algum tempo, a comunidade internacional tem expressado repetidamente sérias preocupações com as sanções, o bloqueio e as ameaças de uso da força por parte dos EUA contra a Venezuela. No entanto, como membro permanente do Conselho de Segurança, os Estados Unidos desconsideraram as sérias preocupações da comunidade internacional, pisotearam arbitrariamente na soberania, na segurança e nos direitos e interesses legítimos da Venezuela e violaram gravemente os princípios de igualdade soberana, não interferência nos assuntos internos, solução pacífica de disputas internacionais e proibição do uso da força nas relações internacionais, lamentou ele.
"Esses princípios constituem os pilares fundamentais da Carta da ONU e formam a pedra angular da manutenção da paz e da segurança internacionais. Os Estados Unidos colocaram seu próprio poder acima do multilateralismo e as ações militares acima dos esforços diplomáticos, representando uma grave ameaça à paz e à segurança na América Latina e no Caribe e até mesmo em nível internacional. A China se opõe firmemente a isso, e a comunidade internacional também expressou ampla e grave preocupação e forte condenação", afirmou Sun.
"Instamos os Estados Unidos a ouvirem a voz esmagadora da comunidade internacional, a respeitarem o direito internacional e os propósitos e princípios da Carta da ONU, a cessarem a violação da soberania e da segurança de outros países, a pararem de tentar derrubar o governo da Venezuela e a retornarem ao caminho das soluções políticas por meio do diálogo e das negociações", disse ele.
A China apela aos Estados Unidos para que garantam a segurança pessoal do presidente Maduro e de sua esposa e os libertem imediatamente, acrescentou.
"As lições da história oferecem um alerta contundente. Meios militares não são a solução para os problemas, e o uso indiscriminado da força só levará a crises ainda maiores. Os Estados Unidos contornaram o Conselho de Segurança para lançar operações militares contra o Iraque, atacaram descaradamente as instalações nucleares do Irã e impuseram sanções econômicas, ataques militares e até mesmo ocupações armadas contra vários países da América Latina e do Caribe. Essas ações causaram conflitos persistentes, instabilidade e imenso sofrimento para a população", enfatizou ele.
A Venezuela é um Estado soberano independente com todo o direito de defender sua soberania e dignidade nacional. Os países da América Latina e do Caribe são forças importantes na manutenção da paz e da estabilidade mundial e na promoção do desenvolvimento e da prosperidade global, e têm todo o direito de escolher independentemente seus caminhos de desenvolvimento e seus parceiros. Nenhum país pode agir como polícia do mundo, nem pode se arrogar o direito de ser juiz internacional, ponderou.
A China apoia firmemente o governo e o povo da Venezuela na defesa de sua soberania, segurança e direitos e interesses legítimos. A China apoia firmemente os países da região na manutenção do status da América Latina e do Caribe como zona de paz. A China exige que os Estados Unidos mudem de rumo, cessem suas práticas de intimidação e coerção e desenvolvam relações e cooperação com os países da região com base no respeito mútuo, na igualdade e na não interferência nos assuntos internos, disse Sun.
A China está pronta para trabalhar com os países da região e com a comunidade internacional para fortalecer a solidariedade e a cooperação, defender a justiça e a equidade e salvaguardar conjuntamente a paz e a estabilidade na América Latina e no Caribe, concluiu.