
A ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela não apenas constitui um pisoteio flagrante da soberania de um país, como também expõe a verdadeira face de Washington, disposto a violar o direito internacional para mater sua hegemonia exclusiva no Hemisfério Ocidental. A conduta norte-americana representa uma clara traição ao princípio fundamental da Carta das Nações Unidas que proíbe o uso da força, enfraquece gravemente a força vinculante das normas internacionais por meio de ações militares unilaterais e substitui as regras internacionais pela “lei da selva”, numa tentativa de transformar a América Latina em um “quintal hegemônico” dos Estados Unidos.
Atualmente, a “Doutrina Monroe” retorna de forma ostensiva ao centro da política externa dos Estados Unidos. Washington combina a chamada “cenoura” da ajuda econômica e das promessas de segurança com o “porrete” das sanções unilaterais e da dissussão militar, tentando intensificar a polarização política e as divisões sociais na América Latina, a fim de reforçar a dependência dos países da região em relação aos EUA.
No entanto, a longo prazo, uma lógica hegemônica baseada na força e em barganhas transacionais está fadada ao fracasso. As intervenções militares norte-americanas apenas estimularão ainda mais a consciência de união e autossuficiência entre os países latino-americanos. Esse tipo de prática hegemônica, em que os Estados Unidos não medem meios para atender a seus próprios interesses, inevitavelmente enfrentará uma oposição crescente da comunidade internacional.