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G20 é "unânime" sobre necessidade da criação de dois Estados para resolver conflito Israel-Palestina

Fonte: Xinhua    23.02.2024 13h13

O G20 tem uma "unanimidade virtual" sobre a necessidade de se criarem dois Estados para solucionar o conflito entre Israel e Palestina, afirmou na quinta-feira o Chanceler brasileiro e anfitrião da reunião de ministros das Relações Exteriores do G20, Mauro Vieira.

Em declarações à imprensa para fazer um balanço dos dois dias de reunião dos chanceleres do G20, Vieira ressaltou que muitos países de todas as regiões mostraram preocupação com o conflito na Palestina, destacando os riscos de que se estenda aos países vizinhos.

"Grande número de países, de todas as regiões, expressou a preocupação com o conflito na Palestina, destacando o risco de alastramento aos países vizinhos. Vários demandaram, ademais, a imediata libertação dos reféns em poder do Hamas", relatou o chanceler brasileiro.

"Foi conferido especial destaque ao deslocamento forçado de mais de 1 milhão e 100 mil palestinos para o sul da Faixa de Gaza. Nesse contexto, houve diversos pedidos em favor da liberação imediata do acesso para ajuda humanitária na Palestina, bem como apelos pela cessação das hostilidades. Muitos se posicionaram contrariamente à anunciada operação de Israel em Rafah, pedindo que o governo de Israel reconsidere e suspenda imediatamente essa decisão", acrescentou.

Em relação a outros temas, Vieira assegurou que também houve unanimidade quanto ao apoio às prioridades estabelecidas pelo Brasil para a presidência do G20, especialmente quanto às ações concretas de combate à desigualdade e à fome.

Na sessão da manhã de quinta-feira, segundo Vieira, discutiu-se a reforma da governança global, que, para o Brasil, é urgente e prioritária.

"Todos concordaram quanto ao fato de que as principais instituições multilaterais - ONU, Organização Mundial do Comércio, Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional, entre outras - precisam de reforma para se adaptarem aos desafios do mundo atual", afirmou o chanceler brasileiro.

"Quanto à ONU, todos mencionaram a necessidade de se conferir impulso às discussões sobre reforma da organização, em especial do seu Conselho de Segurança, com a inclusão de novos membros permanentes e não permanentes, sobretudo da América Latina e Caribe e da África", relatou Vieira, que acrescentou: "as diferentes propostas existentes nesse sentido precisam ser efetivamente debatidas, e pretendemos impulsionar esse processo".

O chanceler brasileiro citou também o papel das instituições financeiras mundiais. "Quanto aos bancos multilaterais de desenvolvimento e ao FMI, também houve grande convergência sobre a necessidade de facilitar acesso a financiamentos aos países mais pobres, bem como sobre a urgência de se aumentar a representatividade do mundo em desenvolvimento em sua governança", destacou.

"Por fim, gostaria de destacar, com grande satisfação, que a proposta brasileira de realizar uma segunda reunião de chanceleres do G20 em setembro, à margem da abertura da 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, foi muito bem recebida. Será a primeira vez em que o G20 se reunirá dentro da sede das Nações Unidas, em sessão aberta para todos os membros da ONU que queiram se pronunciar para que haja um amplo debate sobre os temas que foram o centro desta reunião de ontem e de hoje", concluiu Vieira.

A reunião dos ministros das Relações Exteriores do G20 é o encontro mais importante do grupo das maiores economias do mundo antes da Cúpula dos chefes de estado a realizar-se em 18 e 19 de novembro, também no Rio de Janeiro.

O encontro desta semana contou com a participação de 45 delegações, entre países membros, países convidados e Organizações Internacionais, sendo 32 delegações chefiadas em nível ministerial.

Durante o ano, haverá cerca de 20 reuniões ministeriais do G20, que acontecerão em diferentes cidades brasileiras, começando pela reunião de Ministros da Fazenda e Presidentes de Bancos Centrais, que ocorrerá em São Paulo, na próxima semana.

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