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Acadêmico português analisa conflito ucraniano deixando apelo à "autocrítica" europeia

Fonte: Diário do Povo Online    17.03.2022 14h28

"Porque não soube tratar das causas de crise da Ucrânia, a Europa está condenada a tratar das suas consequências. A poeira da tragédia está longe de ter cessado, mas, mesmo assim, somos forçados a concluir que os líderes europeus não estavam nem estão à altura da situação que vivemos".

Assim lança Boaventura de Sousa Santos o mote de um extenso artigo, intitulado "Para uma autocrítica da Europa", onde é abordado o conflito da Ucrânia no enquadramento europeu, juntamente com suas implicações internacionais, originalmente publicado no jornal português Público.

Acutilante, o autor condena a letargia europeia perante uma guerra que "germinava dentro de casa", indo mais longe, afirmando que "as democracias europeias acabam de provar que governam sem o povo".

Elencando os vários indicadores que foram surgindo desde "há muito tempo", Sousa Santos extrapola o cenário europeu para uma trama complexa em que vários intervenientes são arrastados para um vórtice de interesses americanos, liderados por "três oligarquias(não há apenas oligarcas na Rússia e na Ucrânia): o complexo militar-industrial; o complexo do gás, petróleo e mineração; e o complexo bancário-imobiliário".

A manutenção de um clima de guerra, alerta, favorece relações de dependência proveitosas para os últimos, em detrimento dos atores principais que, em última análise não teriam interesse ou necessidade de avançar para o conflito bélico.

Com efeito, Sousa Santos qualifica as negociações em curso como "um equívoco", dado que, alega, deveriam ser entre a Rússia e EUA/OTAN/União Europeia, ao invés de Rússia e de uma Ucrânia que serve de palco de um duelo de titãs.

"A Ucrânia, cuja independência todos queremos, não deve entrar para a OTAN. A OTAN foi até agora necessária à Finlândia, à Suécia, à Suíça ou à Áustria para se sentirem seguras e se desenvolverem?". 

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