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Brasileiro vivendo na China conta o que mudou na sua vida desde o 18º Congresso Nacional do Partido

Fonte: Diário do Povo Online    13.10.2017 14h30

Rafael G. de Lima (李小东)

De Pequim

No dia 18 de outubro será inaugurado o 19º Congresso Nacional do Partido Comunista da China. Nele, a atual geração de líderes chineses deverá fazer um balanço dos últimos cinco anos de governo e traçar as políticas que irão nortear o país pelos próximos cinco. O congresso também deverá confirmar o papel central de Xi Jinping como núcleo e preparar a nação para a realização das duas metas centenárias (1921-2021 e 1949-2049).

Eu cheguei na China no final de agosto de 2012, apenas três meses antes da abertura do 18º Congresso Nacional do Partido, que naquele ano aconteceu no mês de novembro. Foi naquela data que os atuais líderes, entre eles Xi Jinping, Li Keqiang e Wang Qishan, foram escolhidos para ocupar os cargos mais altos da governança da China.

Cinco anos se passaram e eu continuo vivendo no gigante asiático. Assim como o Partido, esse é um bom momento para eu fazer um balanço dos últimos cinco anos que aqui vivi e as transformações que eu vi o país passar.

Nestes últimos cinco anos eu morei em três cidades e duas regiões diferentes do país. Meu primeiro ano foi em Shijiazhuang, capital da província de Hebei, onde trabalhei como professor de língua portuguesa no Instituto de Comunicação de Hebei. Em seguida, fiquei dois anos em Changhcun, região nordeste, como estudante de mestrado na Universidade de Jilin. Nos últimos dois anos, tenho vivido em Beijing, a capital chinesa, onde tenho trabalhado para empresas de mídia ligadas ao Partido e ao governo.

É interessante imaginar que coisas tão normais para mim nos dias de hoje sequer existiam há dois ou três anos. Hoje peço minha comida pelo celular, utilizo as bicicletas públicas compartilhadas, faço compras de supermercado e de qualquer outro produto pela internet, uso o trem-bala mais rápido do mundo, peço taxi e pago todas as minhas contas do dia-a-dia pelo celular. Todas essas coisas, tão comuns para mim e para qualquer um que vive na China hoje em dia, não faziam parte da minha vida antes de chegar aqui.

Nesse tempo testemunhei as cidades de Shijiazhuang e Changchun mudarem quase que completamente, vi os carros elétricos aparecerem nas ruas de Pequim, vi os parquímetros eletrônicos serem instalados nas calçadas, vi a Cidade Proibida parar de vender bilhetes na entrada e passar a disponibilizá-los apenas pela internet, vi as calçadas ficarem cobertas de pacotes no mês de novembro devido às compras online no dia dos solteiros.

Também pude testemunhar a China começar sua forte luta contra a corrupção. Vi os antigos carros de luxos do governo serem substituídos por modelos mais baratos de marcas nacionais, vi corruptos de baixo e alto escalão serem presos por luxo e extravagância e vi a sociedade chinesa voltar a confiar firmemente no Partido e no governo. Os banquetes, ainda comuns em 2012, já não existiam mais em 2013 e o número de pessoas vivendo na pobreza reduziu drasticamente desde àquela época.

Também preciso ser honesto e admitir que vi os dias de céu azul ficarem cada vez mais frequentes, apesar de desejar que o governo chinês possa fazer ainda mais para melhorar o meio ambiente.

Foi tudo muito rápido, e tinha de ser rápido. A China percebeu que o mundo estava mudando e sabia que ela tinha de mudar junto. Por isso, nesses últimos cinco anos eu pude testemunhar a China desacelerar o seu ritmo de crescimento, mas também vi o esforço do país para mudar de crescimento quantitativo para qualitativo e impulsioná-lo através da inovação e do consumo interno. Antes, eu tinha muito receio das marcas chinesas devido a sua qualidade questionável. Hoje, quase tudo o que tenho são de marcas chinesas.

Eu cheguei na China no dia 25 de agosto de 2012. Eu vim atrás do meu sonho. Três meses depois, no dia 29 de novembro, Xi Jinping visitou a exposição “O Caminho para a Revitalização” e disse que a China estava atrás do seu sonho, o sonho chinês de revitalização da nação. Desde então, o meu sonho e o sonho da China têm caminhado juntos.

Assim como a China, eu estou usando esse mês para fazer uma análise dos meus últimos cinco anos e me preparando para os desafios futuros. Acho que este é um excelente momento para corrigirmos os erros e fortalecer os acertos. É o momento de definirmos rotas e estratégias, reforçar a busca pela paz, pelo desenvolvimento compartilhado, pela segurança e por um planeta mais limpo, mais belo e mais justo. 

 

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