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Cúpula de Wuzhen da Conferência Mundial da Internet começa com uma visão compartilhada de uma IA aberta e inclusiva

Fonte: Diário do Povo Online    04.11.2026 14h29

Cena da cerimônia de abertura da Cúpula de Wuzhen da Conferência Mundial da Internet de 2026, em Wuzhen, na província de Zhejiang, leste da China, em 3 de novembro de 2026. (Foto: Zhang Yuwei/Xinhua)

Com as tecnologias de código aberto em destaque na Cúpula de Wuzhen da Conferência Mundial da Internet (WIC, na sigla em inglês) de 2026, iniciada na terça-feira (3), os participantes defenderam a colaboração aberta em inteligência artificial (IA) e a inovação compartilhada no ciberespaço.

Realizada em Wuzhen, na província de Zhejiang, leste da China, a cúpula reuniu cerca de 1.800 delegados de 138 países e regiões, sob o tema "Código Aberto e Abertura, Contribuição Conjunta e Benefícios Compartilhados — Construindo, em Conjunto, uma Comunidade de Futuro Compartilhado no Ciberespaço".

Ao discursar na cerimônia de abertura, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, defendeu esforços conjuntos para construir uma comunidade de futuro compartilhado no ciberespaço.

"A China continuará a buscar a inovação aberta, promover a transferência de tecnologia e o compartilhamento de conhecimento, e trabalhar com todos para construir um ecossistema global de inovação digital que seja aberto, inclusivo e dinâmico", afirmou Li.

Em sua fala durante a cerimônia, Yolanda Díaz Pérez, segunda vice-primeira-ministra da Espanha e ministra do Trabalho e Economia Social, disse que a Cúpula de Wuzhen "apresenta um modelo de governança comum" e ressaltou que "a IA deve servir aos seres humanos e proporcionar-lhes bem-estar".

"O que queremos é uma IA de código aberto e inclusiva", observou ela. "Todos devem ter acesso aos benefícios trazidos pela IA."

"Juntos, podemos garantir que a próxima era de transformação tecnológica sirva a toda a humanidade", afirmou Li Junhua, subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais, aos presentes. Ele também defendeu a transformação da abertura de um princípio para uma prática em resultados tangíveis.

Realizada pela primeira vez em 2014, a Cúpula de Wuzhen reúne autoridades governamentais, representantes de organizações internacionais, executivos do setor de tecnologia e pesquisadores para debater o desenvolvimento e a governança da internet.

A abertura em ação está em evidência no Pavilhão de Experiência do Ecossistema de Código Aberto, inaugurado no domingo (1º) em Wuzhen. O espaço apresenta avanços em inteligência artificial (IA) de código aberto incluindo o DeepSeek, o Qwen do Alibaba e o modelo "021 Science Foundation Model" do Zhejiang Lab, além de casos de testes-piloto relacionados à IA.

A IA de código aberto gera um impacto econômico mensurável. Esses modelos têm o potencial de reduzir a disparidade de renda entre economias desenvolvidas e em desenvolvimento, atuando como um motor fundamental para esse processo, segundo Justin Yifu Lin, diretor do Instituto de Nova Economia Estrutural da Universidade de Pequim, em declaração feita no início de setembro.

Esse potencial já está sendo colocado em prática. Em Uganda, o ex-cientista do Google, Ernest Mwebaze, utilizou o modelo de código aberto Qwen, do Alibaba, para desenvolver o Sunflower, um sistema de IA que oferece a agricultores orientações sobre o clima e práticas agrícolas, utilizando idiomas locais. Mwebaze optou pelo Qwen devido à sua maior eficácia no processamento de línguas ugandenses, ao custo reduzido e à facilidade de personalização.

Esse espírito colaborativo foi compartilhado por líderes do setor durante a cúpula. Defendendo um futuro "aberto por padrão, confiável por concepção e inclusivo por natureza", John Hoffman, presidente e diretor da GSMA Ltd., destacou uma visão voltada para a colaboração aberta.

"A abertura é uma força, não uma fraqueza", observou Nii Narku Quaynor, presidente da Ghana Dot Com, uma empresa de tecnologia da informação de Gana.

O evento também serve como plataforma para reconhecer pesquisas de alto nível em escala global. Na segunda-feira (2), 20 projetos de diversas partes do mundo foram agraciados com o Prêmios WIC 2026 para Ciência e Tecnologia Pioneiras, em reconhecimento a avanços em tecnologias digitais de vanguarda.

Como um sinal de um ecossistema mais colaborativo, o número de inscrições internacionais para o prêmio cresceu 21% em relação ao ano anterior, com 18 países e regiões participando pela primeira vez. Além disso, o comitê de avaliação do prêmio recebeu, neste ano, mais de 430 inscrições provenientes de 43 países e regiões.

A abertura e a inovação compartilhada continuarão sendo o tema central da cúpula, que segue até quinta-feira (5). A WIC foi estabelecida como uma organização internacional com sede em Beijing, em 2022.

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