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China expressa preocupação com restrições comerciais da UE

Fonte: Diário do Povo Online    29.10.2026 10h55

A China manifestou preocupação com a recente iniciativa da União Europeia de introduzir restrições comerciais, observando que tais medidas afetaram negativamente a estabilidade industrial e das cadeias de suprimentos, bem como a cooperação empresarial bilateral, informou o Ministério do Comércio num comunicado na quarta-feira (28).

Durante uma reunião em Beijing, na terça-feira (27), com Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, o ministro do Comércio, Wang Wentao, afirmou que a China e a UE são parceiros econômicos e comerciais importantes, além de defensores fundamentais do sistema multilateral de comércio.

Segundo o Parlamento Europeu, Lange lidera uma delegação da Comissão de Comércio Internacional numa visita que, de terça a quinta-feira, inclui passagens por Beijing, Hangzhou, na província de Zhejiang, e Shanghai.

Wang destacou que as duas rodadas de negociações realizadas este ano, no âmbito do mecanismo de consulta sobre comércio e investimento entre China e UE, trouxeram resultados substanciais, demonstrando a capacidade de ambos os lados de resolver divergências por meio do diálogo.

Ele também alertou que o uso crescente de restrições comerciais pela UE está prejudicando a cooperação econômica bilateral e exercendo pressão sobre as cadeias de suprimentos transfronteiriças.

"A China não é a origem dos problemas da UE, mas sim uma parceira na busca por soluções", acrescentou Wang.

O ministro chinês do Comércio instou a UE a colaborar com a China para ampliar os investimentos bilaterais, aumentar as importações chinesas provenientes do bloco e explorar a cooperação em setores emergentes. O objetivo é promover um comércio bilateral mais equilibrado, em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e com os princípios de reciprocidade e benefício mútuo.

Lange afirmou que manter laços econômicos estáveis entre a UE e a China é particularmente importante num cenário de incerteza econômica global.

Lange manifestou-se favoravelmente aos investimentos chineses na Europa e expressou apoio a uma reforma da OMC. Ele ressaltou que a comissão que preside apoia a continuidade das consultas bilaterais para gerenciar divergências e declarou estar disposta a desempenhar um papel ativo na facilitação do diálogo.

No âmbito do mecanismo de consulta sobre comércio e investimento entre China e UE, a primeira reunião, realizada em Bruxelas no final de junho, estabeleceu quatro frentes de trabalho e um mecanismo conjunto de monitoramento para lidar com atritos comerciais.

A segunda reunião, ocorrida em Beijing no início de outubro, resultou em 16 pontos de consenso, abrangendo temas como o equilíbrio no comércio e nos investimentos, controles de exportação, direitos de propriedade intelectual e a reforma da OMC.

Sun Chenghao, pesquisador associado no Centro de Segurança e Estratégia Internacional da Universidade Tsinghua, afirmou que a continuidade do diálogo oferece à China e à União Europeia uma forma de tratar de disputas comerciais, sem permitir que divergências em setores específicos ofusquem sua relação econômica mais ampla.

Além das disputas comerciais, a cooperação econômica continua a oferecer oportunidades para empresas europeias na China, disse ele.

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