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Equipes de resgate intensificam buscas minuciosas em Gyirong

Fonte: Diário do Povo Online    07.09.2026 09h15

Quarenta e três pessoas foram confirmadas mortas e 519 continuam desaparecidas no condado de Gyirong, na Região Autônoma de Xizang, após um deslizamento de terra devastador atingir a área em 26 de agosto. As operações de busca e resgate prosseguem, informaram as autoridades locais no domingo (6).

Ren Wei, comandante do centro de operações de campo e vice-presidente executivo do governo regional, disse numa coletiva de imprensa em Gyirong que, até as 18h de sábado, 993 itens de pertences pessoais haviam sido recuperados.

Até a noite de sábado, mais de 2.500 socorristas haviam sido mobilizados, juntamente com mais de 500 veículos e mais de 9.000 conjuntos de equipamentos de resgate. Drones realizaram mais de 1.000 voos, enquanto 5,43 toneladas métricas de suprimentos e equipamentos foram lançadas por via aérea.

Desde que o acesso rodoviário à área principal foi restabelecido na quarta-feira (2), seis grupos especializados e sete equipes de resgate vêm realizando buscas detalhadas. Os socorristas estão removendo os escombros camada por camada e examinando minuciosamente cada seção. Algumas áreas já foram limpas até as fundações originais.

Ren afirmou que as buscas continuarão conforme o plano estabelecido, para garantir que a área central do desastre seja examinada da forma mais completa possível.

Enquanto isso, as autoridades estão prestando apoio às famílias dos mortos e desaparecidos. Uma linha direta dedicada recebeu 675 chamadas de parentes até o momento, enquanto 791 familiares foram acolhidos e 640 deles receberam acomodação. Dois moradores locais haviam sido resgatados no final do mês passado.

Pu Weidong, vice-chefe executivo do departamento regional de segurança pública, informou que mais de 60 especialistas forenses e três laboratórios foram mobilizados para identificar as vítimas.

Restos mortais e pertences pessoais estão sendo registrados e documentados, enquanto impressões digitais, informações genéticas e outras características de identificação estão sendo coletadas e cruzadas com dados fornecidos pelos parentes. Pu disse que o trabalho está sendo realizado de forma científica, rigorosa e cuidadosa, com total respeito à dignidade dos falecidos e aos costumes locais.

Pu acrescentou que as autoridades divulgariam regularmente informações sobre os trabalhos de busca, resgate e acompanhamento. Também foi criada uma linha direta de atendimento 24 horas para responder às preocupações das famílias, com novas atualizações a serem divulgadas conforme o andamento do processo de busca e identificação.

A prevenção de desastres secundários continua sendo a prioridade. Mais de 100 especialistas e técnicos foram mobilizados, juntamente com 150 conjuntos de equipamentos de monitoramento profissional para acompanhar a deformação de encostas, níveis de água, condições meteorológicas e outros fatores.

Deng Buchuan, vice-diretor do departamento de resgate especial em desastres do Corpo de Bombeiros e Resgate de Xizang, afirmou que a equipe está realizando buscas na lama, camada por camada.

"Espero que mais pessoas possam ser resgatadas e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance", disse ele.

Su Pengcheng, pesquisador do Instituto de Riscos de Montanha e Meio Ambiente da Academia Chinesa de Ciências, informou que especialistas têm monitorado lagos de barramento, encostas instáveis, geleiras e lagos glaciais, ao mesmo tempo em que avaliam riscos geológicos nos arredores de cinco vilarejos e ao longo da rota de emergência.

Ele explicou que o desastre foi desencadeado por um colapso de gelo e rocha em grande altitude, no lado nepalês do Himalaia. O fluxo de detritos resultante percorreu cerca de 22 quilômetros rio abaixo em apenas seis a sete minutos, causando danos severos.

Embora um lago de barramento formado após o desastre tenha drenado naturalmente, Su ressaltou que ainda existem depósitos e encostas instáveis, criando riscos de obstruções localizadas, deslizamentos de terra e queda de detritos. Tecnologias de sensoriamento remoto via satélite e aérea, radar, monitoramento hidrológico e imagens de drones em tempo real estão sendo utilizadas para apoiar a avaliação contínua de riscos e fornecer alertas às equipes de resgate rio abaixo.

Su afirmou que as mudanças climáticas estão aumentando os riscos de desastres no Himalaia, defendendo a necessidade de avaliação precoce de riscos relacionados a geleiras, um sistema integrado de monitoramento (via satélite, aéreo e terrestre) e uma cooperação transfronteiriça mais robusta no compartilhamento de dados, avaliação de riscos e sistemas de alerta precoce.

Jornalistas estrangeiros que visitaram o local também destacaram a dificuldade de acesso à área remota. Muhammad Asghar, correspondente da Associated Press do Paquistão na China, disse que a resposta de resgate foi "muito rápida", apesar das dificuldades de acesso.

Bruno Falci, jornalista brasileiro do canal de televisão latino-americano teleSUR, comentou que é "realmente impressionante a rapidez com que a China age", citando a rápida mobilização das equipes de resgate e a reabertura de estradas.

O Gabinete de Informação do Conselho de Estado e o Ministério das Relações Exteriores organizaram, no sábado e no domingo, uma visita à área do desastre para 17 jornalistas de nove veículos de comunicação estrangeiros, incluindo representantes dos Estados Unidos, Reino Unido, Rússia, Índia e Singapura.

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