Qu Song e Li Yan
Dos “projetos na China” à “experiência global”
O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) publicou recentemente seu primeiro Relatório de Avaliação da Carteira de Projetos na China, que apresenta uma análise abrangente dos resultados da cooperação do banco entre 2015 e 2024 para impulsionar o crescimento econômico da China, promover a inclusão social e, sobretudo, mobilizar recursos para apoiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável.
Até junho deste ano, o NBD havia aprovado 33 projetos na China, com um volume de empréstimos de aproximadamente US$ 10,7 bilhões. Os empréstimos denominados em yuans representavam quase 70% do total, a maior proporção entre os bancos multilaterais de desenvolvimento de categoria semelhante. O relatório avaliou a carteira de empréstimos do NBD na China em cinco dimensões — relevância, eficácia, eficiência, impacto e sustentabilidade —, classificando o desempenho como “bem-sucedido” em todas elas. A maioria dos projetos atingiu ou superou as metas de construção previstas, gerando benefícios concretos nas áreas de desenvolvimento verde e de baixo carbono, conectividade e serviços públicos.
Ashwani Muthoo, diretor do Escritório de Avaliação Independente do NBD, afirmou que a China possui a maior carteira de projetos nacionais do banco, com um nível relativamente elevado de eficiência na execução. Os projetos abrangem áreas como transporte de baixo carbono, energia limpa, água e saneamento e proteção ambiental, estando estreitamente alinhados à estratégia de desenvolvimento da China, às metas de atingir o pico das emissões de carbono e alcançar a neutralidade de carbono e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.
Sun Chao, especialista-chefe do Escritório de Avaliação Independente do NBD e responsável pela avaliação da carteira de projetos na China, considera que o banco e o país se fortalecem mutuamente, aproveitando suas respectivas vantagens e construindo uma relação de cooperação baseada em benefícios mútuos e ganhos compartilhados.
Nos últimos anos, o NBD passou a compartilhar experiências adquiridas em projetos chineses com outros mercados emergentes. Em 2025, durante um seminário sobre sistemas inteligentes de transporte organizado pelo banco, uma delegação de Maceió, no Brasil, trocou experiências com a equipe responsável pelo projeto integrado de transporte verde da cidade de Yinchuan, na Região Autônoma da Etnia Hui de Ningxia, na China.
As experiências do projeto — incluindo uma plataforma inteligente de gestão do tráfego para toda a cidade, um sistema integrado de mobilidade verde que combina ônibus movidos a novas energias nos principais corredores com soluções de micromobilidade nos trechos finais e um modelo de transporte público acessível e inclusivo — tornaram-se referências importantes para o planejamento do sistema de transporte rápido por ônibus (BRT) de Maceió.
Instituições como a Magalies Water, da África do Sul, também visitaram, por iniciativa do NBD, o projeto de integração dos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário nas áreas urbanas e rurais de Shengzhou, na província de Zhejiang, correspondente à segunda fase de um projeto de desenvolvimento urbano verde. As experiências de monitoramento de perdas de água por meio de inteligência artificial e de gestão inteligente dos recursos hídricos estão sendo testadas na África do Sul e em outras localidades.
Duncan Peters, presidente do Conselho de Administração do NBD, afirmou que a carteira de projetos na China produziu resultados concretos de desenvolvimento em áreas como infraestrutura, energia limpa, sustentabilidade ambiental e transição verde e de baixo carbono. No futuro, o NBD pretende ampliar ainda mais o impacto de suas atividades na China, expandir ativamente os serviços não relacionados a empréstimos, como assistência técnica e capacitação, e aprofundar a parceria entre as partes.