
O vice-presidente chinês Han Zheng discursa no debate geral da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, na sede da ONU, em Nova York, em 26 de setembro de 2026. (Pang Xinglei/Xinhua)
A China trabalhará em conjunto com todos os demais países para construir uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade e tornar o mundo um lugar melhor para todos, afirmou neste sábado o vice-presidente chinês Han Zheng.
Han fez a declaração ao discursar no debate geral da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.
O mundo está passando por mudanças e turbulências interligadas, com conflitos geopolíticos prolongados, crescentes disparidades de desenvolvimento e um número cada vez maior de desafios globais, afirmou.
Observando que o presidente chinês Xi Jinping apresentou a Iniciativa de Desenvolvimento Global durante a 76ª sessão da Assembleia Geral da ONU e, desde então, propôs a Iniciativa de Segurança Global, a Iniciativa de Civilização Global e a Iniciativa de Governança Global, Han afirmou que essas iniciativas oferecem orientação estratégica para a construção de uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade.
Segundo ele, cada vez mais países desejam unir esforços para assumir a missão histórica de enfrentar dificuldades e desafios e promover o bem-estar de toda a humanidade.
Han apresentou quatro propostas:
Primeiro, salvaguardar a ordem internacional do pós-guerra e promover uma paz duradoura baseada na segurança comum. É preciso transformar em ações a visão de uma segurança comum, abrangente, cooperativa e sustentável, rejeitando a mentalidade da Guerra Fria e o confronto entre blocos.
As diferenças e disputas devem ser resolvidas por meio do diálogo e de consultas, enquanto ações militares unilaterais que violem a Carta da ONU ou contornem a autorização do Conselho de Segurança devem ser rejeitadas.
Segundo, enfrentar os desafios do desenvolvimento global e promover a prosperidade para todos, por meio da abertura e da cooperação. O desenvolvimento deve permanecer no centro da agenda internacional, e os países devem construir conjuntamente uma parceria global para o desenvolvimento baseada na unidade e na igualdade, equilibrada e inclusiva.
Deve-se dar prioridade a áreas fundamentais, incluindo a redução da pobreza, a segurança alimentar e a transição energética, ampliar a alocação de recursos e aumentar o apoio aos países do Sul Global. É preciso adotar uma abordagem centrada nas pessoas, buscar resultados positivos e promover o bem, além de trabalhar para reduzir a desigualdade digital.
O sistema multilateral de comércio deve ser firmemente protegido, com a construção de uma economia mundial aberta e a garantia de que a globalização econômica seja inclusiva e proporcione benefícios a todos.
Terceiro, promover o intercâmbio e o aprendizado mútuo entre as civilizações e reconstruir a unidade e a confiança mútua por meio da comunicação e do diálogo. A plataforma da ONU deve ser utilizada para impulsionar os intercâmbios internacionais entre os povos, promover a compreensão e a amizade entre todos os povos e favorecer o desenvolvimento comum de civilizações diversas.
É preciso rejeitar o preconceito ideológico e respeitar os caminhos de desenvolvimento e os sistemas sociais escolhidos de forma independente pelos povos de todos os países. Deve-se aprofundar o compartilhamento de experiências de governança e explorar conjuntamente formas de enfrentar os desafios de nosso tempo.
Quarto, manter o compromisso com o multilateralismo e tomar medidas para salvaguardar a equidade e a justiça. A China considera que todos os países, grandes ou pequenos, são membros iguais da comunidade internacional e que os assuntos mundiais devem ser tratados por todos por meio de consultas, enquanto o Estado de Direito, a equidade e a justiça nos assuntos internacionais devem ser conjuntamente defendidos.
Os países devem unir forças e agir em conjunto para proteger a ONU e fortalecê-la. A China apoia a ONU em seus esforços de reforma e aperfeiçoamento e na tarefa de enfrentar efetivamente desafios globais, incluindo as mudanças climáticas e a segurança da saúde pública.
Han destacou que a República Popular da China recuperou seu assento legítimo nas Nações Unidas em 1971, um acontecimento de profundo e amplo significado tanto para a China quanto para o mundo.
Nos últimos 55 anos, a China tem sido uma força de estabilização em períodos de volatilidade, afirmou Han, ressaltando que o país está firmemente comprometido com o desenvolvimento pacífico e possui o historial mais consistente em matéria de paz e segurança entre as grandes potências.
Enquanto um dos principais motores do desenvolvimento comum, a China criou dois milagres em seu território: um rápido crescimento econômico e uma estabilidade social de longo prazo. Ao longo dos anos, o país contribuiu com cerca de 30% do crescimento global, afirmou Han.
Ele disse que a China, como força progressista em uma era de mudanças, sempre defendeu os direitos e interesses legítimos dos países em desenvolvimento e trabalhou em prol de um sistema de governança global mais justo e equitativo.
Han afirmou que, independentemente da evolução da dinâmica internacional, a China continuará persistindo em sua busca pela paz e pelo desenvolvimento, em seu compromisso com a defesa da equidade e da justiça e em sua adesão ao multilateralismo.
Durante sua estadia em Nova York, Han manteve reuniões separadas com a presidente da Bulgária, Iliana Iotova; o presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic; o presidente do Chipre, Nikos Christodoulides; o presidente de Gana, John Dramani Mahama; e o presidente de Kiribati, Taneti Maamau.
Os presidentes elogiaram as principais ideias e iniciativas apresentadas por Xi, manifestaram admiração pelas conquistas do desenvolvimento da China e reafirmaram o firme compromisso de seus governos com o princípio de Uma Só China.
Eles manifestaram também a disposição para ampliar ainda mais a confiança estratégica mútua com a China, aprofundar a cooperação prática, fortalecer a coordenação multilateral e contribuir mais para o bem-estar dos povos e o desenvolvimento sustentável global.

O vice-presidente chinês, Han Zheng, discursa no debate geral da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, na sede da ONU, em Nova York, em 26 de setembro de 2026. (Pang Xinglei/Xinhua)