
O vice-primeiro-ministro He Lifeng, chefe da delegação chinesa para as negociações econômicas e comerciais entre a China e os Estados Unidos, aperta a mão do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, chefe da delegação americana, antes do início das conversas no domingo, em Nova York. (Foto: Bai Xueqi/Xinhua)
Enquanto a China e os Estados Unidos realizavam uma nova rodada de negociações econômicas e comerciais em Nova York no domingo, especialistas e executivos de empresas destacaram a importância de manter a estabilidade nas relações bilaterais e o papel da China nas estratégias de crescimento global das empresas americanas.
A delegação chinesa foi liderada pelo vice-primeiro-ministro He Lifeng, enquanto a delegação dos EUA foi chefiada pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, e pelo Representante de Comércio, Jamieson Greer.
Segundo um comunicado divulgado na segunda-feira pelo Ministério do Comércio da China, os dois lados realizaram diálogos francos, aprofundados e construtivos.
Eles compartilharam pontos de vista sobre questões econômicas e comerciais importantes de interesse comum, bem como sobre a implementação dos pontos de consenso alcançados em rodadas anteriores de negociações, informou o comunicado, acrescentando que os dois lados também discutiram questões relacionadas à inteligência artificial.
Scott Kennedy, consultor sênior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) — uma organização sem fins lucrativos de pesquisa de políticas sediada em Washington, D.C. — afirmou que tanto os EUA quanto a China têm um forte interesse em manter a estabilidade nas relações bilaterais em meio aos crescentes desafios econômicos.
A interdependência continua a moldar os laços entre EUA e China, com ambos os lados buscando formas de gerir o relacionamento, acrescentou ele.
Para as empresas americanas com operações de longo prazo na China, o vasto mercado do país desempenha um papel fundamental em suas estratégias de crescimento global.
Michael Gierges, presidente da divisão de soluções climáticas para a região da Ásia-Pacífico, Oriente Médio e África da Carrier Global Corp, observou que a China não é mais vista apenas como um mercado regional, mas como um motor essencial da estratégia de crescimento global da empresa sediada nos EUA.
Após lançar uma nova linha de produção de chillers resfriados a ar em sua unidade de Shanghai, em janeiro — com um investimento superior a 100 milhões de yuans (US$ 15 milhões) —, a Carrier inaugurou, em maio, um centro integrado de testes para sistemas comerciais de aquecimento, ventilação e ar-condicionado na mesma cidade. Henry Ding, presidente da 3M na China — parte do conglomerado industrial norte-americano de mesmo nome —, afirmou que nenhuma empresa consegue prosperar sozinha no atual cenário de mercado, caracterizado por rápidas transformações. A colaboração mutuamente benéfica e o codesenvolvimento industrial são fundamentais para o sucesso a longo prazo, acrescentou ele.
Dados estatísticos indicam que mais de 50% dos produtos da 3M comercializados na China são fabricados localmente.
Ding informou que a 3M ampliará ainda mais seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento local neste ano, com a meta de aumentar o lançamento de novos produtos em mais de 30% em relação a 2025 — um ritmo muito mais acelerado do que o observado na maioria dos outros mercados globais.
John Quelch, vice-reitor executivo e professor emérito de ciências sociais da Universidade Duke Kunshan, em Suzhou (província de Jiangsu), destacou que a IA e outras tecnologias estão auxiliando as empresas a responder com mais agilidade às oscilações da demanda, aprimorar a tomada de decisões e tornar as cadeias de suprimentos mais responsivas.
O Conselho Empresarial EUA-China manifestou apoio à continuidade do diálogo sobre IA entre os dois países.
Em comunicado divulgado na semana passada, o conselho defendeu que EUA e China estabeleçam canais formais para discutir a segurança da IA, realizar consultas sobre políticas relacionadas à tecnologia, gerenciar incidentes significativos envolvendo IA e alinhar padrões técnicos e de avaliação.
Paralelamente, o órgão ressaltou que ambos os países devem evitar medidas que restrinjam desnecessariamente o acesso ao mercado e às cadeias de suprimentos.