Por Assana Sambú
Meus três meses de treinamento na Universidade Renmin da China, assim como as deslocações realizadas ao leste, norte e oeste do país, designadamente Tianjin, Hebei, Xizang e Xinjiang, ajudaram-me a conhecer e explorar, ainda que apenas um pouco, a história, a cultura e as tradições milenares dos mais de 50 grupos étnicos que compõem os 1,4 mil milhões de habitantes da República Popular da China.
A diversidade étnica nas regiões de Tianjin, Hebei, Xizang e Xinjiang impressionou-me, particularmente pelas suas culturas e pela forma como as suas tradições e crenças religiosas estão enraizadas. Nestas regiões, percebi que na China a diversidade étnica é a sua maior riqueza e a base da sua coesão social.
Em Xizang, apreciei a singularidade do povo de Xizang, que possui características culturais e religiosas, das quais se destaca o budismo. Em Xinjiang, testemunhámos uma rica diversidade étnica e religiosa, com os uigures muçulmanos a viver em harmonia com outros grupos étnicos chineses. Na província de Hebei, um centro da cultura chinesa, visitei e subi a estrutura da Grande Muralha daquela região, assim como também visitei um palácio imperial, cujas características são quase idênticas às da Cidade Proibida em Beijing. Percebi que esta província preserva a história das dinastias chinesas, especialmente da dinastia Qing. Em Tianjin, observa-se uma corrida a alta velocidade rumo à modernização e automatização dos serviços. Contudo, tanto os Han como os outros grupos étnicos vivem em harmonia, mantendo-se enraizados nas suas tradições e crenças religiosas.
O mais fascinante é o sentimento de patriotismo que os chineses nutrem pelo seu país, um sentimento transmitido pelos seus ancestrais. Aliás, até nos olhos dos estudantes com quem partilhamos os corredores da universidade e da residência se consegue vislumbrar esse sentimento.
No entanto, dependendo da sua região de origem, cada estudante pode apresentar particularidades em termos de língua e cultura. De um modo geral, percebo que, independentemente das diferenças, todos partilham uma paixão pelo país, tendo a China como denominador comum. Mesmo no mundo académico, nota-se esse sentimento de patriotismo, de tolerância e respeito pelas diferenças. São estes valores, conservados ao longo dos séculos, que permitiram a boa convivência étnica e religiosa entre os 56 grupos étnicos que constituem a população chinesa.
Apesar da sua diversidade étnica e religiosa, as pessoas vivem em harmonia e partilham o amor pelo país através de um desejo comum de coexistir, fundamentado na tolerância e no respeito mútuo, trabalhando em conjunto para a transformação e o desenvolvimento da nação. O alicerce da união e da boa convivência entre os grupos étnicos, assim como as forças motrizes por trás da transformação e do desenvolvimento económico e tecnológico deste país, assentam no sistema político estabelecido pelo Estado, que reflete a sua realidade social.
A África poderia potencialmente aprender com as lições das diversidades étnicas e religiosas, bem como das suas forças de transformação, tendo em conta as suas próprias realidades e especificidades. Isto deveria, sem sombra de dúvidas, inspirar os países africanos a compreender, antes de tudo, que a diversidade étnica, religiosa e cultural não deve ser motivo de antagonismo, mas sim uma vantagem, uma oportunidade para nos aproximarmos uns dos outros, para nos descobrirmos e para construirmos juntos um país harmonioso que abrace a diversidade.
A China compreendeu esta diversidade étnica; por isso, reconheceu as diferenças e promoveu, acima de tudo, a unidade do seu povo e a igualdade de oportunidades para todos os grupos étnicos. Aliás, o Presidente Xi Jinping defende a unidade étnica no seu discurso em março de 2022, numa sessão parlamentar, como a “linha da vida do povo chinês de todos os grupos étnicos”.
A China, enraizada na sua cultura e tradição, tem no Presidente Xi Jinping uma visão que compreende que o Estado “deve ajudar todos os grupos étnicos a permanecerem estreitamente unidos como as sementes de uma romã que se mantêm juntas na construção conjunta da grande nação chinesa”.
O sistema político vigente, assim como o quadro jurídico do país e, à semelhança de todos os países, defende a unidade nacional e a igualdade de oportunidades para todos os cidadãos chineses.
Apesar da desproporção numérica em termos de população por grupos étnicos — em que um único grupo representa mais de 90% da população total — o Estado tem promovido uma convivência harmoniosa e a coesão social entre os 56 grupos étnicos, permitindo que cada um se reconheça nas leis da República como a bússola para viver tranquilamente lado a lado.
Num país desta dimensão, com mais de mil milhões de habitantes e uma diversidade étnica — especialmente com um grupo étnico largamente maioritário — estaria, sem uma estrutura estatal sólida, mergulhado numa situação complexa e em graves problemas de conflitualidade étnica, à semelhança do que se regista um pouco por todo o mundo.
A solidez do Estado, alicerçada nas leis da República, ajudou a cimentar uma sã convivência étnica e a promover uma interação harmoniosa que gerou um rico tapete cultural, marcado pela diversidade dos 56 grupos étnicos, onde cada um contribui com as suas tradições, línguas e costumes para enriquecer o mosaico étnico e cultural da República Popular da China.
Para reforçar esta harmonia entre os diferentes grupos, o Estado criou um quadro jurídico que defende e promove a unidade e o progresso étnico. A Lei de Promoção da Unidade e do Progresso Étnico da República Popular da China, aprovada em março do ano em curso na Assembleia Popular, não só fortalecerá a convivência entre os diversos grupos étnicos, como também promoverá o intercâmbio cultural e a compreensão mútua.
A entrada em vigor desta nova lei, no início do mês de julho passado, além de ajudar a reforçar a coesão social entre os grupos étnicos, reforça também a ideologia da unidade étnica defendida pelo imortal líder chinês Mao Zedong, que afirmava que a “unificação do país, a unidade do povo e a unidade de todas as nacionalidades” são garantias fundamentais para o triunfo seguro da causa do povo.
(Jornalista guineense, Diretor Adjunto do Jornal O Democrata)