O Brasil possui todas as condições necessárias para se tornar um polo global de data centers, em meio ao crescimento da inteligência artificial e à demanda global por processamento de dados, segundo Hermano Tercius, secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, em declaração emitida na quarta-feira.
Em um evento em Brasília, Tercius explicou que o Brasil possui vantagens estratégicas para a expansão desse setor devido à sua capacidade de geração de energia limpa e ao crescente consumo de dados no país.
O Congresso Nacional aprovou recentemente uma lei de incentivo fiscal para o setor, destinando aproximadamente 5,2 bilhões de reais (US$ 1,04 bilhão) no orçamento de 2026 para estimular novos empreendimentos, principalmente em regiões carentes do país.
Segundo Tercius, o Brasil oferecerá às empresas interessadas um incentivo fiscal de cinco anos para a compra de equipamentos, desde que atendam a certos requisitos, incluindo o uso de energia limpa e o processamento de dados em território brasileiro.
O secretário rejeitou as críticas relacionadas ao impacto ambiental dos data centers, especialmente no que diz respeito ao consumo de água. "A nova tecnologia não consome água. Funciona de forma semelhante a um radiador de carro, onde a água circula e raramente precisa ser reposta", explicou.
Tercius enfatizou que o Brasil atualmente processa apenas 40% dos dados consumidos internamente, o que, segundo ele, demonstra a necessidade de expandir a infraestrutura nacional.
"Para lidar apenas com os dados gerados e consumidos no Brasil, precisaríamos aumentar em duas vezes e meia o número de data centers existentes", observou. O secretário também argumentou que a capacidade de armazenar e processar dados no país tornou-se uma questão de soberania nacional no atual contexto internacional.
O Ministério das Comunicações também está preparando uma Política Nacional de Data Centers, que incluirá novas medidas regulatórias por meio de decretos e portarias para consolidar o setor e atrair investimentos estrangeiros.