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Países africanos se esforçam para enfrentar a desertificação com apoio chinês

Fonte: Diário do Povo Online    27.05.2026 10h12

No Parque de Tecnologia Verde China-África, hortaliças cultivadas com tecnologia chinesa de irrigação por gotejamento.

Recentemente, repórteres do Diário do Povo visitaram a Mauritânia e sentiram de perto os graves desafios da desertificação na África. Cerca de três quartos do território mauritano estão cobertos pelo deserto do Saara, tornando o país um dos mais afetados pela desertificação no continente africano e um retrato da crise de avanço das areias na África. Dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente mostram que aproximadamente 45% das terras africanas apresentam algum grau de desertificação, enquanto 55% enfrentam risco adicional de degradação. O deserto do Saara avança vários quilômetros por ano em direção ao sul, ameaçando diretamente a sobrevivência de 200 milhões de pessoas na região do Sahel.

A desertificação já afeta amplamente o desenvolvimento africano. No aspecto ecológico, a redução drástica da vegetação colocou mais de 300 espécies de animais e plantas em risco de extinção. Economicamente, as perdas anuais ultrapassam 9 bilhões de dólares, enquanto agricultura e pecuária sofrem fortes impactos, formando um círculo vicioso de “desertificação — pobreza — exploração excessiva”. Em termos de segurança, a escassez de recursos intensifica conflitos e gera grande número de refugiados. Na Mauritânia, as terras agrícolas diminuem em média 2,1% ao ano, a taxa de autossuficiência alimentar é inferior a 30%, e muitas aldeias já foram engolidas pelas areias, forçando a população ao deslocamento.

No Sudão, os oásis encolhem mais de 2% ao ano; na Etiópia, mais de 60% do território sofre desertificação; e no Senegal, a salinização das áreas costeiras se agrava — todos profundamente afetados pela crise ambiental.

Para enfrentar o problema, a União Africana lançou em 2007 o projeto “Grande Muralha Verde”, com o objetivo de criar uma faixa de vegetação corta-vento atravessando o Sahel. O projeto evoluiu para um sistema abrangente de recuperação ambiental, com a meta de restaurar 100 milhões de hectares até 2030. Os países adotam medidas adaptadas às suas realidades: a Mauritânia coordena ações de contenção das areias e quebra-ventos; o Sudão criou leis para proteger áreas de pastagem; a Etiópia promove campanhas nacionais de plantio de árvores; e o Níger incentiva modelos ecológicos de pecuária.

Até o momento, o projeto já restaurou 18 milhões de hectares e criou 400 mil empregos verdes, embora ainda enfrente desafios como déficit de financiamento — os investimentos atuais correspondem a apenas um terço do necessário —, atraso tecnológico e instabilidade de segurança.

A experiência chinesa trouxe um impulso importante ao combate à desertificação na África. No Parque de Tecnologia Verde China-África, na Mauritânia, a China utiliza irrigação por gotejamento alimentada por energia solar, espécies resistentes à seca e uma tecnologia de semeadura para transformar áreas desérticas em oásis, além de capacitar trabalhadores locais para a manutenção ambiental.

A China também estabeleceu diversas áreas demonstrativas na Nigéria, Etiópia e outros países africanos. Com esse apoio, projetos-piloto na Mauritânia elevaram a cobertura vegetal de 3% para 22%, enquanto no Níger a mortalidade do gado caiu 35%.

As autoridades africanas afirmam que a cooperação sino-africana no combate à desertificação é um exemplo de cooperação Sul-Sul e contribui com esforços e conhecimento conjuntos da China e da África para a governança global da desertificação.

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