
Uma loja da Pop Mart em Londres (Foto: Xinhua)
As marcas culturais chinesas vêm conquistando cada vez mais fãs na Europa, atravessando fronteiras de diversas formas. Desde o grande sucesso das caixas-surpresa da Pop Mart na Alemanha, passando pelo reconhecimento internacional de animações como “Nezha: O Demônio no Mar” e “Ling Cage”, até à série de jogos “Black Myth”, que levou jogadores europeus a se interessarem espontaneamente pela obra “Jornada ao Oeste”, a cultura chinesa está entrando de maneira mais intensa no cotidiano das famílias europeias.
Na primeira loja da Pop Mart em Berlim, produtos como Labubu se tornaram objeto de desejo entre os jovens. Alguns consumidores viajaram centenas de quilômetros e gastaram até 500 euros de uma só vez para comprar produtos. Os dados revelam que cerca de 75% dos jovens alemães entre 18 e 24 anos obtêm informações de consumo pelas redes sociais, e brinquedos baseados em IP representam aproximadamente 28% do mercado de brinquedos na Alemanha. Essa cultura de consumo em que “adultos mantêm um espírito pueril” criou uma base favorável para a expansão dos IPs chineses.
O responsável pela Pop Mart na Europa afirmou que a Alemanha possui um ambiente altamente criativo e que a empresa está confiante em aprofundar sua presença no mercado europeu. Em 2025, a receita da Pop Mart na Europa cresceu impressionantes 506,3% em relação ao ano anterior. A mídia estrangeira destacou que essas pequenas figuras carregam o calor da cultura chinesa e despertam forte identificação emocional entre consumidores do mundo inteiro.
Em 2025, “Nezha: O Demônio no Mar” arrecadou mais de 15,9 bilhões de yuans, tornando-se a animação de maior bilheteria da história mundial. Críticos europeus consideram que o filme combina a essência da cultura tradicional chinesa com uma narrativa moderna, preservando o charme oriental enquanto atende ao gosto global. Produtos derivados também se tornaram populares. A Miniso já lançou o plano “Levar 100 IPs chineses para o exterior”.
Os jogos online tornaram-se outro importante veículo de expansão cultural. Na Gamescom 2025, em Colônia, “Black Myth: Zhong Kui” apareceu como trailer de encerramento — a primeira vez que um jogo chinês ocupou o destaque final de um grande evento internacional de games. Muitos jogadores europeus passaram a ler obras como “Jornada ao Oeste” por causa do jogo. Já “Genshin Impact”, da miHoYo, incorpora elementos do patrimônio cultural imaterial chinês, como canto da Ópera de Pequim e dança do leão, permitindo que jovens sintam o encanto da cultura chinesa durante a experiência de jogo. Um profissional da indústria comentou: “No campo da criação de IPs culturais, é impossível ignorar a força da China”.
O sucesso dos IPs culturais chineses na Europa reflete vantagens em toda a cadeia produtiva — design, produção, criação de conteúdo e compreensão da psicologia do consumidor. As empresas chinesas compreenderam com precisão a demanda dos jovens por “expressão individual” e “companhia emocional”, alcançando uma combinação de “ressonância emocional e identificação cultural”.
A alta qualidade de produção é a chave principal. “Nezha 2” levou cinco anos e meio para ser produzido, reuniu mais de 4 mil criadores e contou com quase 2 mil cenas de efeitos especiais; já a série “Black Myth” teve um ciclo de desenvolvimento superior a seis anos, com um nível de detalhes gráficos que impressionou profissionais europeus. Com um sistema industrial completo que conecta criação de IP, produção e marketing, a China está se tornando uma importante plataforma global para artistas desenvolverem novos IPs.
A revista britânica The Economist destacou que a inovação é a chave para a China se tornar cada vez mais “cool”. Analistas franceses afirmam que o país vive uma “transformação de soft power”, e sua imagem cultural vem ganhando crescente popularidade entre os jovens ocidentais. O crescimento dos IPs culturais chineses na Europa também injeta nova vitalidade no intercâmbio e aprendizado mútuo entre culturas chinesa e estrangeira.