Por Beatriz Cunha

Orquestra NEOJIBA, sob a regência de Ricardo Castro, realiza concerto para o Ano Cultural Brasil-China 2026 na Sala de Concertos da Cidade Proibida de Beijing, distrito de Dongcheng, Beijing, capital da China, em 29 de abril de 2026. (Foto: Beatriz Cunha/Diário do Povo Online)
A Orquestra dos Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (NEOJIBA), de Salvador, Bahia, nordeste do Brasil, se apresentou, na noite de quarta-feira (29), na Sala de Concertos da Cidade Proibida de Beijing, sob a regência do renomado maestro brasileiro Ricardo Castro.
A apresentação faz parte da programação oficial do Ano Cultural Brasil-China 2026.
Ricardo Castro é reconhecido como maestro, pianista, educador e líder cultural, e se dedica a destacar o poder transformador da música. Com uma trajetória artística de 50 anos, colaborou com orquestras renomadas, como a Orquestra Gewandhaus de Leipzig, a Orquestra Konzerthaus de Zurique e a Orquestra Filarmônica da BBC.
Estudou música no Conservatório de Música de Genebra com a pianista Maria Tippo e o maestro Arpad Geretz, tendo conquistado o reconhecimento internacional muito jovem logo após vencer o Concurso Internacional de Piano de Leeds, em 1993, tornando-se o primeiro e único músico sul-americano a alcançar essa honra.
Em 2007, fundou a NEOJIBA (Orquestra Juvenil e Infantil da Bahia), um projeto social pioneiro que oferece treinamento orquestral e coral gratuito para milhares de crianças e adolescentes em toda a Bahia.
A Orquestra NEOJIBA já se apresentou em salas de renome mundial, como a Philharmonie de Paris, o Conservatório de Santa Cecília em Roma, o Concertgebouw de Berlim e o Royal Festival Hall em Londres
O concerto da Orquestra NEOJIBA, que praticamente lotou a Sala de Concertos da Cidade Proibida, localizada no distrito de Doncheng, contou com a presença do embaixador do Brasil na China, Marcos Galvão e da ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, que está na China realizando visita de Estado.
Durante o concerto o público pôde desfrutar da versatilidade do maestro Ricardo Castro, que além de se concentrar na regência da Orquestra, também tocou, piano e pandeiro. E, embora seu trabalho performático seja extasiante, o experiente músico afirmou que a Orquestra “está olhando para o futuro das novas gerações”, por isso deu espaço para que o jovem violinista Breno Albuquerque conduzisse uma das obras performadas pela orquestra.
A Orquestra NEOJIBA levou à plateia a um outro nível de experiência cultural, fugindo à rigidez que uma apresentação de orquestra pode trazer tanto ao público como aos próprios músicos. O concerto da noite de quarta-feira, trouxe para a China uma sobreposição da música erudita e da música popular brasileira, envolvendo o público com movimentos corporais singelos sincronizados com a melodia tocada.
Embora não se tratasse de uma apresentação de dança, nem tampouco uma roda de samba, ou de capoeira, esses elementos da cultura brasileiras estiveram presentes no palco da Sala de Concertos da Cidade Proibida.
O programa percorreu diferentes paisagens sonoras das Américas, reunindo obras como “Abertura Cubana” e “Rapsódia em Azul”, de Gershwin, “Naufrágio de Kleônicos”, de Villa-Lobos, “Sonhos Percutidos”, de Gomes, “Suíte Nordestina”, de Duda e “Danzón nº 2”, de Márquez
Durante a performance dos músicos, surgiram 3 berimbaus. Um dos músicos mimificou a regência do maestro com movimentos e toques inusitados para o intrumento, que é essencialmente utilizado para “reger o tom” de uma roda de capoeira.
Outro momento de grande relevância, embora inusitado aos palcos de salas de concertos foi quando o maestro “deixou as crianças sozinhas brincando” e os músicos demonstraram com perfeição o domínios dos instrumentos que tocavam, a integração ente si e a harmonia entre música e corpo, deixando os movimentos mais soltos.
Além da novidade da mistura entre o erudito e o popular brasileiro, a Orquestra também proporcionou a plateia a sensação de estar em um “show”, trazendo a participação da mesma para cantar “viva” e para bater palmas em sincronicidade com a obra performada. Foi notório que os músicos estavam desfrutando do momento tanto ou mais do que a plateia.
Durante o ano, uma extensa programação cultural será realizada na China, em virtude do Ano Cultural Brasil-China 2026, envolvendo múltiplas expressões artísticas e culturais e contemplará áreas como artes cênicas, artes visuais e audiovisuais, música, patrimônio cultural imaterial, diversidade cultural, juventude, formação, turismo e inovação.