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Gala de Ano Novo Chinês: programa televisivo com maior audiência do mundo coloca em destaque avanços em robótica e IA

Fonte: Diário do Povo Online    24.02.2026 14h30

Por Mauro Marques

A mais recente edição da Gala do Festival da Primavera da CCTV voltou a confirmar o seu estatuto como programa televisivo com maior audiência do mundo, reunindo em frente ao ecrã centenas de milhões de espectadores não só em toda a China, mas também no resto do mundo.

Transmitida anualmente na noite de passagem de ano novo chinês, a gala constitui mais do que um mero evento televisivo. Trata-se de um ritual cultural que acompanha um momento de reunião familiar, em que milhões de famílias chinesas se sentam à mesa para discutir questões familiares e temas diversos da atualidade. Entre os últimos, a inteligência artificial e a robótica, que ocupam um papel de cada vez maior destaque no quotidiano, surgem inevitavelmente como tópicos incontornáveis, refletindo as transformações profundas que atravessam a sociedade chinesa.

A edição deste ano aproveitou, deste modo, para destacar o prestígio nacional em matéria de inovação tecnológica, sendo que o arranque da gala revelou de imediato essa intenção: os três primeiros segmentos performativos da gala, focados em humor, artes marciais e música, respectivamente, recorreram ao uso de robôs, com especial destaque para a performance de kung fu, que impressionou pela precisão e fluidez de movimentos dos humanoides.

A comparação com a edição de 2025 foi inevitável. Nesse ano, os robôs haviam sido utilizados apenas numa única performance, exibindo ainda capacidades limitadas de adaptação motora e autonomia. Desta vez, porém, o salto tecnológico foi evidente, com as máquinas a demonstrar níveis significativamente superiores de motricidade, coordenação e interação com seres humanos.

A reação do público oscilou entre o orgulho nacional e a surpresa perante a velocidade desta evolução. Nas redes sociais chinesas multiplicaram-se comentários entusiásticos, muitas vezes acompanhados de algum sentido de humor: “As acrobacias são impressionantes, mas quando é que os robôs vão ser capazes de cozinhar e limpar a casa?”, questionaram alguns utilizadores.

Para além do efeito de entretenimento, a presença destas tecnologias foi interpretada como um sinal claro da aposta estratégica do país neste setor. Ao integrar robôs e sistemas inteligentes num evento de grande visibilidade pública, as autoridades comunicaram de forma tácita à população o potencial transformador destas ferramentas e a ambição nacional de ser uma referência no setor.

A gala funcionou também como plataforma de projeção internacional. No encalço da habitual atenção atribuída às comemorações do Ano Novo Chinês um pouco por todo mundo, a difusão mediática nas redes sociais e na imprensa estrangeiras destacou amplamente as performances tecnológicas, contribuindo, assim, para reforçar não só a imagem cultural da China, mas também sua capacidade de inovação.

É neste plano que cidades como Shenzhen e Hangzhou estão cada vez mais na boca do mundo, servindo de berço de empresas de renome na área da robótica, como Unitree, Engineai ou UBTECH. Por outro lado, no domínio de modelos de linguagem de grande escala (LLM) desenvolvidos no país, nomes como DeepSeek, Qwen ou Doubao, são cada vez mais uma referência, tais como ferramentas de geração de vídeo e conteúdos digitais como Seedance ou Kimi.

A edição deste ano da gala televisiva de Ano Novo Chinês demonstrou não apenas a velocidade de evolução da robótica e da inteligência artificial, mas também a rapidez com que estas tecnologias são integradas no quotidiano cultural e mediático. Resta agora saber até onde poderá ir esta ambição e que papel desempenharão máquinas cada vez mais sofisticadas nas próximas edições do evento.

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