
Beber água quente, praticar 'baduanjin', usar chinelos acolchoados, cozinhar mingau chinês… Recentemente, uma “lista de hábitos do estilo de vida chinês” viralizou nas redes sociais estrangeiras.
A onda de “virar chinês” levou internautas de outros países a vivenciar, de forma imersiva, o cotidiano chinês, tornando-se um novo destaque na comunicação intercultural.
“Virar chinês” não significa mudar de nacionalidade, mas sim a identificação voluntária e a prática da cultura chinesa por parte de internautas estrangeiros. No início de janeiro deste ano, um blogueiro sino-americano compartilhou hábitos de cuidados de saúde da medicina tradicional chinesa no inverno e lançou um convite relacionado ao tema. O vídeo ultrapassou um milhão de visualizações e gerou um efeito em cadeia.
Muitos estrangeiros abandonaram bebidas geladas no café da manhã e passaram a apreciar mingau e sopas quentes; alguns registram diariamente hábitos como usar chinelos acolchoados ou ferver água com maçã; outros aprenderam a fazer jiaozi (raviolis chineses) e pratos da culinária chinesa, pedindo dicas a internautas da China. Essa onda formou uma interação de mão dupla: internautas chineses compartilham com entusiasmo truques do dia a dia, enquanto os estrangeiros se tornam “parentes virtuais” que atravessam cabos e telas.
Segundo a análise do professor Zhang Yuqiang, da Universidade de Comunicação da China, esse fenômeno reflete o aumento do poder abrangente e da influência internacional da China. No passado, muitos estrangeiros observavam a China à distância, com curiosidade exótica; hoje, porém, passam a sair dos estereótipos e a sentir o encanto da sua cultura a partir de detalhes cotidianos.
Com o fluxo cada vez mais frequente de pessoas e mercadorias entre China e outros países, os estilos de vida e a oferta cultural chineses se tornam mais ricos, levando estrangeiros a se adaptar gradualmente e a gostar do modo de vida chinês.
Impulsionados por essa onda, cada vez mais internautas estrangeiros deixam a “experiência online” e partem para visitas presenciais. A China continua a otimizar suas políticas de entrada: implementou isenção unilateral de visto para 48 países e, desde a adoção da política de isenção de visto de trânsito por 240 horas, o número de estrangeiros que entram no país cresceu 27,2% em relação ao ano anterior.
Após o início das operações fechadas do Porto de Livre Comércio de Hainan, 86 países com isenção de visto e 92 rotas aéreas internacionais mantêm o turismo de entrada em alta; a temporada de neve e gelo no Nordeste atrai visitantes do mundo todo para vivenciar o prazer extremo da neve e a vida popular local; já uma estação de esqui indoor em Guangzhou faz blogueiros estrangeiros se maravilharem com a força industrial da China.
Ao participar de danças em praças e passear por feiras matinais, turistas estrangeiros renovam sua percepção da China por meio de experiências reais.
De Ne Zha 2 e Black Myth: Wukong a minisséries chinesas e brinquedos colecionáveis, produtos culturais chineses continuam a atrair atenção global. O Índice Global de Soft Power 2025 mostra que a cultura e o estilo de vida chineses são altamente reconhecidos por jovens dos 18 a 24 anos.
Essa ressonância cultural que surge de baixo para cima não depende de imposição, mas nasce do desejo compartilhado por uma vida melhor. A sabedoria oriental presente no estilo de vida chinês e as aspirações humanas universais por uma vida boa tornam-se o código central da comunicação intercultural.
No contexto do fortalecimento contínuo da confiança cultural, a onda de “virar chinês” oferece um novo modelo para o intercâmbio entre civilizações. A China não apenas promove sua cultura “para fora”, mas também convida o mundo “para dentro”, ampliando a abertura e otimizando políticas para oferecer oportunidades de vivenciar o país. No futuro, mais projetos de intercâmbio intercultural construirão pontes de diálogo, permitindo que diferentes civilizações aprendam umas com as outras, prosperem juntas e compartilhem a beleza da diversidade.