Por Yin Yan, Diário do Povo

Turistas observam cisnes em uma área úmida no município de Dachuan, distrito de Xigu, Lanzhou, província de Gansu, noroeste da China, em 7 de dezembro de 2025. (Foto/Wang Hong)
Nas primeiras horas da manhã, o canto dos pássaros desperta a floresta na Reserva Natural Nacional do Monte Xinglong, na província de Gansu, no noroeste da China. Ocultos entre a densa vegetação, sensores acústicos entram em funcionamento simultaneamente, identificando e captando com precisão cada vocalização.
Essa cena serena e, ao mesmo tempo, dinâmica, representa um dia típico da equipe de monitoramento e pesquisa em conservação da vida silvestre da Universidade de Lanzhou, revelando os avanços notáveis das tecnologias chinesas de monitoramento ecológico.
Zhang Lixun, chefe da equipe de pesquisa e engenheiro sênior com título de professor na Faculdade de Ecologia da universidade, recorda que, na década de 1990, os pesquisadores precisavam carregar pesados gravadores de fita pelas montanhas. “Quando as fitas acabavam, tínhamos de descer tudo de novo”, contou.
De fitas cassete e reprodutores de MP3 a gravadores digitais profissionais, a equipe testemunhou, ao longo dos anos, uma profunda transformação nos instrumentos de trabalho. Em 2022, alcançou um marco importante com a implantação completa de uma nova geração de sensores acústicos inteligentes desenvolvidos no país, inaugurando uma era em que a inteligência artificial passou a reforçar os esforços de monitoramento e conservação da vida silvestre.
Esse salto tecnológico tornou possíveis observações mais amplas e profundas. A equipe estabeleceu 60 pontos de monitoramento ao longo de três gradientes ambientais em Lanzhou e arredores, capital da província de Gansu: desde ecossistemas pouco perturbados, como o Monte Xinglong e a Reserva Natural de Liancheng, passando por áreas de nível distrital com perturbação moderada, até o centro urbano de Lanzhou, pontilhado por parques e comunidades residenciais.
O enorme volume de dados coletados revela uma tendência animadora. “Há dez anos, a maioria das aves vistas na cidade estava apenas de passagem”, explicou Zhang. “Agora, muitas delas escolheram se estabelecer em Lanzhou”.
O número de espécies de aves registradas na cidade cresceu de pouco mais de 100 para 339. Espécies comuns, como melros e pega-azuis, aparecem com maior frequência, e até mesmo os antes raros jaseiros-da-boêmia passaram a hibernar no distrito de Yuzhong, em Gansu.
Alimentando-se de sementes, essas aves são atraídas pela abundância de plantas da família Rosaceae e de tuias-chinesas nos cinturões verdes urbanos, que hoje funcionam como fontes abundantes de alimento.
Ensinar máquinas a “entender” o canto dos pássaros não é tarefa simples. O reconhecimento sonoro é muito mais desafiador do que o reconhecimento de imagens. Nos primeiros tempos, membros da equipe de Zhang precisavam analisar manualmente as gravações quadro a quadro — “como editar um filme” — para identificar as espécies.
Atualmente, sistemas de inteligência artificial realizam a triagem inicial de forma rápida, embora a precisão ainda dependa da verificação de pesquisadores de campo experientes, que ajustam continuamente os algoritmos. Os dados acústicos coletados são enviados para a plataforma dinâmica de monitoramento e percepção da paisagem sonora da vida silvestre da universidade.
“Quanto mais registros acústicos das espécies locais de aves acumulamos”, explicou Zhang, “mais precisos se tornam os modelos de reconhecimento por IA, após o treinamento com grandes volumes de dados”. Atualmente, a taxa de reconhecimento já supera 85%.
Diferentemente dos métodos tradicionais, o monitoramento acústico opera 24 horas por dia, gerando uma grande quantidade de informações. “Embora tenhamos acumulado um volume considerável de dados”, reconheceu Zhang, “o tamanho da amostra ainda é insuficiente para uma análise abrangente”.
Somente com mais dados, ressaltou, será possível avaliar com maior precisão os impactos de longo prazo das mudanças climáticas ou dos esforços de restauração ecológica. Zhang acredita que o monitoramento acústico abrirá perspectivas de pesquisa mais amplas e fornecerá uma base de dados mais robusta para futuros estudos ecológicos.
Em um artigo publicado pela equipe em 2024, o monitoramento acústico foi amplamente utilizado para avaliar rapidamente a biodiversidade durante os períodos de maior atividade das aves. O estudo concluiu que florestas primárias e florestas secundárias desempenham papéis insubstituíveis na conservação da diversidade de aves, oferecendo evidências científicas para a defesa da proteção de florestas primárias intactas e para a otimização das estratégias de restauração ecológica em regiões áridas.
Ao entardecer, garças deslizam graciosamente sobre o Rio Amarelo, enquanto seus cantos se misturam ao farfalhar dos salgueiros ao longo das margens. Esses sons, entrelaçados ao pulso da cidade, são fielmente captados pelos sensores acústicos e incorporados a um banco de dados, servindo como indicadores essenciais das mudanças ecológicas. Segundo Zhang, o ambiente ecológico de Lanzhou tem apresentado melhorias contínuas nos últimos anos, oferecendo garantias mais sólidas para os habitats das aves.
Nas telas do laboratório, mapas em tempo real piscam com pontos de luz, cada um narrando silenciosamente como a tecnologia e a dedicação de longo prazo permitem que a humanidade escute a natureza com mais atenção.
Olhando para o futuro, a equipe mantém o otimismo. “Certamente utilizaremos equipamentos melhores e mais avançados”, afirmou Zhang. “E estamos confiantes de que mais aves escolherão fazer desta cidade às margens do rio Amarelo o seu lar”.