
Em um anúncio recente, o Brasil deu um novo passo na facilitação dos intercâmbios com a China ao decidir conceder isenção de algumas categorias de visto de curta duração a cidadãos chineses, abrindo novas possibilidades para contatos mais frequentes entre os dois países.
A decisão, anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi tomada no contexto da ampliação da cooperação entre o Brasil e a China em áreas da fronteira do conhecimento e rapidamente foi sentida por quem mantém laços comerciais, profissionais ou familiares com o país.
Para empresários, turistas e famílias separadas pela distância, a política trouxe expectativas concretas e imediatas, traduzidas tanto em planos de viagem quanto em novos projetos de cooperação.
"A isenção de visto do Brasil para cidadãos chineses é extremamente conveniente para nós, empresários. Estamos muito interessados em participar do Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo (CIOSP), que é a maior feira do setor na região. Talvez consigamos conquistar mais clientes por lá, e já vi muitos colegas se organizando para viajar ao Brasil e se preparar para o evento", disse Su Feili, gerente-geral da Guangxi Ehall Medical Technology Co., Ltd, ao falar das oportunidades trazidas pela nova política.
À frente de uma microempresa de equipamentos médicos que vende para quase cem países e regiões, Su mantém há anos relações comerciais constantes com parceiros brasileiros, levando produtos médicos chineses ao mercado local e, por meio deles, alcançando outros países da América Latina.
Segundo ela, as exportações para o Brasil se concentram em pequenos consumíveis médicos, com negócios em crescimento. A empresa também desenvolveu um equipamento para atender às demandas dos clientes brasileiros, com certificação prevista para agosto e vendas anuais estimadas em cerca de duzentas unidades. Ainda este ano, estão sendo planejadas viagens ao Brasil para acompanhar projetos e participar de feiras. "A isenção de visto é um enorme benefício. Dá aquela sensação de poder viajar a qualquer momento", disse.
Embora os detalhes sobre a data de implementação e as regras específicas ainda não tenham sido divulgados, o anúncio já provocou um aumento significativo do interesse por viagens ao Brasil na China.
Dados da plataforma de serviços de viagens Qunar mostram que Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília são as três cidades com mais pesquisas, cada uma registrando aumento de mais de cinco vezes ante a semana anterior, com Beijing, Shanghai, Guangzhou, Hangzhou e Shenzhen emergindo como os cinco pontos de partida mais populares.
A novidade também emocionou Gabriel de Morais, brasileiro do Rio de Janeiro que vive e trabalha na China há muitos anos. Apaixonado por artes marciais chinesas, adotou o nome Mo Xiaolong e hoje é instrutor de kung fu em uma academia em Nanning, onde formou sua família de três pessoas.
"A isenção de visto facilita muito as visitas à família. Minha filha tem seis anos e ainda não conheceu a avó no Brasil. Além do tempo de voo, o preço das passagens sempre foi um obstáculo", disse ele, acrescentando que, com o aumento do intercâmbio entre os dois países, as companhias aéreas provavelmente ampliarão os voos e os bilhetes poderão se tornar mais variados e acessíveis.
Ativo em palcos e eventos culturais, Gabriel dedica-se a divulgar o kung fu e, ao mesmo tempo, a apresentar o Brasil aos chineses. Com fotos de paisagens no celular, ele costuma recomendar o país como destino turístico, ressaltando a diversidade entre norte e sul, as praias, as florestas, a capivara tão querida pelos jovens chineses e o churrasco brasileiro.
A China já ocupa, há anos consecutivos, o posto de maior parceiro comercial do Brasil e também está entre os países de origem de turistas estrangeiros que mais crescem.
Cerca de 94,4 mil turistas chineses visitaram o Brasil de janeiro a novembro de 2025, um crescimento anual de 34%, segundo dados divulgados pela Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) no ano passado.
Para fortalecer ainda mais a comunicação, o Brasil lançou um site oficial de turismo em língua chinesa e estabeleceu um escritório de relações públicas voltado para a China.
O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, afirmou ainda há espaço para ampliar sua participação no mercado chinês. Segundo ele, por isso, os investimentos nessa aproximação têm sido feitos de forma estruturada, com a expectativa de se intensificarem ainda mais em 2026.