Um diplomata chinês de alto escalão afirmou na quarta-feira (21) que o Japão não possui as qualificações necessárias para pleitear uma vaga como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Sun Lei, encarregado de negócios da Missão Permanente da China junto às Nações Unidas, fez as declarações durante a primeira reunião das negociações intergovernamentais sobre a reforma do Conselho de Segurança, realizada durante a 80ª sessão da Assembleia Geral da ONU. Ele afirmou que o Japão é incapaz de assumir a responsabilidade de manter a paz e a segurança internacionais e não consegue conquistar a confiança da comunidade internacional.
Sun observou que o Conselho de Segurança é o cerne do mecanismo de segurança coletiva internacional e possui uma responsabilidade singularmente importante na defesa da ordem internacional pós-guerra e na salvaguarda da paz e da segurança internacionais.
Ao recordar os Julgamentos de Tóquio, ocorridos há 80 anos, Sun afirmou que eles puniram criminosos de guerra japoneses, defenderam a justiça internacional, protegeram a dignidade humana e serviram como um poderoso alerta contra qualquer tentativa de reviver o militarismo ou de buscar novas agressões e expansões. No entanto, ele observou que o Japão não conseguiu lidar plenamente com seu passado militarista.
Em vez disso, disse Sun, o militarismo japonês ressurgiu sob novas formas e cresceu silenciosamente.
Forças de direita no Japão têm trabalhado arduamente para branquear a história da agressão, negando repetidamente crimes históricos como o Massacre de Nanjing, o recrutamento forçado de "mulheres de conforto" e o trabalho forçado, enquanto pressionam por revisões nos livros didáticos de história numa tentativa de reverter o veredito sobre a agressão japonesa durante a guerra, lamentou Sun. Ele acrescentou que vários líderes japoneses em exercício visitaram o Santuário de Yasukuni, um símbolo espiritual do militarismo, prestando homenagem a criminosos de guerra de Classe A.
Sun criticou ainda uma série de ações recentes das forças de direita japonesas, incluindo as declarações equivocadas da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre a questão de Taiwan e as ameaças de uso da força contra a China, as declarações pró-nucleares de altos funcionários, as tentativas de revisar os chamados três documentos de segurança e as alegações de alteração dos Três Princípios Não Nucleares – que proíbem o país de possuir, produzir ou permitir a introdução de armas nucleares em seu território. Essas medidas, disse ele, expõem uma perigosa intenção de promover a "remilitarização" e reviver o militarismo, representando novas ameaças à paz e à segurança regional e global.
Um país que não demonstra remorso por seus crimes históricos, viola as normas básicas que regem as relações internacionais, contesta os resultados da Segunda Guerra Mundial e desrespeita abertamente a ordem internacional do pós-guerra está fundamentalmente desqualificado para pleitear uma cadeira como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, afirmou Sun.
Sun também observou que, como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e um país importante e responsável, a China está disposta a trabalhar com todos os países e povos amantes da paz para defender firmemente os resultados da vitória na Segunda Guerra Mundial e a ordem internacional do pós-guerra, salvaguardar conjuntamente a autoridade e a unidade do Conselho de Segurança e desempenhar um papel construtivo na manutenção da paz e da segurança internacionais.