Por Beatriz Cunha

João Camarero realiza sua estreia na China com show de Tributo à Baden Powell para o Ano Cultural Brasil-China no Blue Note de Beijing, distrito de Dongcheng, em Beijing, capital da China, em 28 de abril de 2026. (Foto: Beatriz Cunha/Diário do Povo Online)
João Camarero, um dos principais violonistas brasileiros contemporâneos, realizou um tributo à Baden Powell na noite de terça-feira (28), no Blue Note de Beijing, no distrito de Dongcheng, em Beijing, capital da China.
No início da noite, o embaixador do Brasil na China, Marcos Galvão apresentou à plateia a ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, que proferiu um discurso de abertura no qual afirmou que o show de João Camarero na China é uma ocasião que transcende a música, uma vez que faz parte da celebração do Ano Cultural Brasil-China 2026.
Brasil e China compartilham uma profunda tradição artística, onde a música ocupa lugar de destaque como linguagem universal, disse a ministra, enfatizando que a cultura e as artes são ferramentas de aproximação, mostrando a beleza e a diversidade que ambos os países tem nas suas nações, a partir do seu povo.
Margareth Menezes, com uma carreira artística de 40 anos como cantora observou que a celebração cultural entre Brasil e China é fruto da determinação do presidente brasileiro Lula e do presidente chinês Xi Jinping para que ambos os países se conheçam melhor e ampliem o conhecimento de seus povos.
O show tributo à Baden Powell marcou a estreia na China do músico brasileiro João Camarero, que além de tocar músicas de Baden, também apresentou obras de outros compositores brasileiros, realizando um “tour musical pelas regiões brasileiras” para uma plateia composta principalmente por chineses e brasileiros.
Baden Powell de Aquino, a quem o show realiza sua homenagem póstuma, nasceu no Rio de Janeiro em 1937 e faleceu em 2000. Era considerado um prodígio no violão e aos quinze anos já tocava profissionalmente, acompanhando cantores e bandas de vários estilo e até mesmo Orquestra.
Baden transitou entre gêneros como samba, bossa nova e jazz e sua obra é reconhecida internacionalmente, tendo deixado como legado uma discografia de dezenas de álbuns.
Nos anos 60 a Bossa Nova era o gênero prevalescente, mas Baden, juntamente com o poeta e diplomata brasileiro Vinicius de Moraes, lançou “Os afro-samba”, combinando elementos de religiões afro-brasileiras ao samba.
O violonista brasileiro João Camarero, incumbido do tributo, possui carreira consolidada como solista, tendo se apresentado com orquestras como a Orquestra Sinfônica Brasileira e a Orquestra Sinfônica da Bahia. Ele também colaborou com grandes nomes da música brasileira, como Maria Bethânia, Caetano Veloso e Paulinho da Viola.
Durante o show Camarero tocou diversas canções de Vinicius de Moraes e Baden Powell, ambos do Rio de Janeiro, depois foi para o que ele chamou de “planetas diferentes”, tocando músicas de outros estados brasileiros, com Dorival Caymmi representando a Bahia, estado de origem da ministra Margareth Menezes.
O músico brasileiro também tocou obras do paulista Aníbal Augusto Sardinha, importante nome da Bossa Nova conhecido como “Garoto”. Grandes nome como Tom Jobim eram devotos ao “Garoto”, disse João à plateia, enfatizando que “não se pode falar de música brasileira sem falar de ‘Garoto’”.
Passando para o nordeste, ao tocar João Teixeira Guimarães, o “João Pernambuco”, Camarero deixou evidente sua admiração pelo músico considerado o “poeta do violão”, observando que durante o dia era um operário, e apesar do trabalho árduo e mesmo com suas mãos calejadas ainda conseguia ter presteza e brilhantismo no violão.
Sobre sua estreia na China, Camarero afirmou ter sido uma alegria imensa e uma honra enorme ter realizado sua apresentação no Blue Notes de Beijing, abrindo a programação do Ano Cultural Brasil-China, com a presença da ministra da cultura, do embaixador do Brasil na China e tantos outros artistas e amigos.
A cultura é o melhor jeito possível da gente dialogar e se conhecer melhor, disse Camarero ao Diário do Povo, acrescentando ser relevante que a temporada tenha sido iniciada com o violão, um instrumento simbólico para o Brasil e para a Música Popular Brasileira.
A ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, expressou o desejo de que, nesse momento onde precisamos cada vez mais afirmar a fraternidade e a cultura da paz, a relação China e Brasil possa se ampliar ainda mais, porque ainda temos muito a conhecer, a trocar, a aprender um com o outro.
Ao longo do ano uma extensa programação cultural será realizada na China, que contribuirá para ampliar o conhecimento sobre o Brasil e aprofundar os nossos laços de amizade, informou a ministra da cultura no show de tributo à Baden Powell.