Ao badalar da meia-noite de terça-feira, um novo marco histórico no comércio online chinês terá sido consumado.
Hordas de consumidores famintos pelas promoções mastodônticas do dia dos solteiros (11/11) acorreram aos sites de comércio eletrónico para tentar deitar a mão aos produtos mais aliciantes, antes de serem devorados pelo tsunami de cliques simultâneos na opção de compra.
A acompanhar os consumidores estão as empresas, munidas para o efeito. Das mais variadas dimensões e setores de mercado, e alojadas em vários gigantes de “e-commerce”, oferecem todo o tipo de pechinchas e - porque o contexto assim o impera - negócios da China. Embora as melhores ofertas estejam disponíveis apenas no dia 11, muitas promoções prolongam-se para lá do dia dos solteiros, numa expressiva ânsia deste ramo de vendas de manter as caixas registadoras a tilintar durante as semanas (ou mesmo meses) subsequentes.
Na verdade, neste ano o frenezim começou até mais cedo que o habitual. Antes do evento principal do dia dos solteiros – iniciado em 2009 pelo grupo Alibaba – terá havido uma gala de pompa e circunstância, desta vez na televisão, numa escala apenas comparada ao programa com recorde de audiências na China, e um dos mais vistos do mundo, com 690 milhões de espetadores – a gala do ano novo chinês.
Mas afinal qual a relação que tem uma gala televisiva com a loucura de compras online? A dúvida é legítima.
Po Tian, responsável pelo setor de marketing do Tmall (plataforma de venda direta ao consumidor do grupo Alibaba), terá dito que a gala da empresa acrescenta uma pitada de digital, providenciando uma experiência mais realista do lema “o que vê aqui é o que irá obter”.
“Qualquer coisa que veja na transmição televisiva, seja roupa vestida por celebridades ou itens usados numa performance, é possivel obter a informação relacionada no smartphone”, disse.
De acordo com o grupo Alibaba, os espetadores assistiram à gala, que teve início às 8.30 da noite, tanto na televisão, como nos tablets ou telemóveis. Além disso, o público pôde também ganhar coupons e descontos em artigos, usando a funcionalidade de abanar os telemoveis durante a transmição.
Este novo modelo de gala “TV – Online” espicaçou a a curiosidade dos restantes membros do setor de comércio online super competitivo da China. O grupo Jing Dong, o maior rival da Alibaba no comércio eletrónico, não ficou atrás, tendo também organizado uma gala semelhante para atrair consumidores antes do dia dos solteiros.
A empresa sediada em Pequim, disse que iria oferecer coupons no valor de 3 biliões de yuans a “abanadores de telemóvel” (referência à funcionalidade peculiar dos smartphones já citada anteriormente) durante a transmição de terça-feira.
Adam Xu, parceiro da Strategy&Ltd, disse que o dia 11 de novembro se tornou num evento fundamental para as marcas não rentáveis para venderem os seus produtos em grande escala.
“O impacto na 'retina' é muito mais importante para as marcas”, disse, acrescentando que não há melhor maneira de atrair a “retina” do que organizar uma gala.
Sem sombra de dúvida, o evento de compras anual está a tornar-se mais sonante, possante e mais frequentado do que anteriormente. Este conta já com a participação de vendedores de canais tanto online como offline, e de compradores tanto da China como do estrangeiro. No ano transato, a Alibaba gerou 9.3 biliões de dólares brutos em volume de merchandise.
Nicholas Kontopoulos, diretor-geral de mercados em rápido crescimento e marketing de inovação na SAP Hybris, uma empresa de comércio eletrónico sediada na Suiça, disse que para sobreviver e triunfar na era do digital, é preciso saber tirar proveito da tecnologia, para criar algo com o qual o consumidor se consiga conectar. A Alibaba conseguiu fazê-lo através da gala.
“Os clientes estão mais imersos no digital, interligados entre si nas redes sociais e melhor informados que antes. Esta alteração de paradigma passou a permitir aos consumidores acederem a informação sobre os mais variados produtos no conforto do lar através de uma consulta no telemóvel ou no tablet. Deste modo, os negócios precisam de procurar novas formas de reter a atenção do consumidor e assegurar o seu entretenimento para lá da via convencional – haverá melhor forma de o fazer atingindo potenciais compradores enquanto estes veem televisão?”, disse.
Edição: Mauro Marques